UE aprova sanções contra regime militar de Mianmá

Soldados iniciam perseguição a manifestantes e invadem casas no meio da noite para deter suspeitos

Agências internacionais,

03 de outubro de 2007 | 11h15

Os países da União Européia (UE) decidiram nesta quarta-feira, 3, intensificar suas sanções contra o regime de Mianmá, a antiga Birmânia, por conta da repressão contra a oposição. Segundo o comunicado da Presidência rotativa da organização, ocupada por Portugal, os 27 países integrantes do bloco não emitirão vistos aos militares e impedirão a importação de madeira e pedras preciosas.   Veja também: Junta militar liberta grupo de monges Entenda a crise e o protesto dos monges  Dissidentes cibernéticos driblam censura  População apóia protesto dos monges   Soldados birmaneses anunciaram que estão em busca de manifestantes pró-democracia que participaram de recentes protestos em Rangum, a maior cidade de Mianmá. A junta militar prendeu mais pessoas nesta quarta-feira, pouco depois do fim da visita de um representante da Organização das Nações Unidas (ONU) que pressionava o governo a parar com a repressão às manifestações pró-democracia.   Segundo testemunhas, pelo menos oito caminhões cheios de presos saíram do centro de Ragun, epicentro dos protestos das últimas semanas, liderados por monges budistas. Shari Villarosa, embaixadora interina dos Estados Unidos em Mianmá, disse que a polícia militar estava entrando nas casas e retirando as pessoas no meio da noite.   Veículos militares patrulhavam as ruas antes do amanhecer. Nos alto-falantes, uma voz avisava: "Nós temos fotografias. Promoveremos prisões". As forças de segurança procuram por participantes dos protestos iniciados em agosto e que ganharam força na semana passada. Segundo a junta que governa Mianmá, dez pessoas morreram, mas grupos dissidentes falam em 200 mortes e 6.000 detenções.   Aparentemente confiando no fim dos protestos, os militares retiraram as barricadas em torno dos templos de Shwedagon e Sule, focos dos protestos, reduziu em duas horas o toque de recolher noturno e libertou alguns monges que haviam sido detidos na semana passada em seus monastérios.   Negociações com a ONU   A repressão continua apesar da esperança despertada pelos encontros do enviado da ONU, Ibrahim Gambari, com o general Than Shwe, chefe da junta militar, e com a líder oposicionista Aung San Suu Kyi, Prêmio Nobel da Paz, que está em prisão domiciliar.   Gambari está em Cingapura, a caminho de Nova York, mas dificilmente fará pronunciamentos públicos sem antes conversar com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon. Fontes da entidade disseram que Gambari deve voltar a Mianmá no começo de novembro.   Não há sinais de que a pressão externa altere o comportamento da junta militar, que tradicionalmente dá pouca atenção à opinião internacional e raramente admite a entrada de funcionários da ONU.

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