Onliner.by/AFP
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UE aprova sanções econômicas contra Belarus por desvio de avião e prisão de jornalista

A decisão dos ministros de Negócios Estrangeiros dos 27 países europeus visa "afetar as fontes de rendimento do regime de Alexander Lukashenko", segundo diplomatas

Redação, O Estado de S.Paulo

21 de junho de 2021 | 08h30

A União Europeia (UE) aprovou nesta segunda-feira, 21, sanções contra sete setores econômicos de Belarus para "afetar as fontes de rendimento do regime de Alexander Lukashenko", disseram dois diplomatas à AFP.

As medidas, adotadas pelos ministros de Negócios Estrangeiros dos 27 países europeus reunidos em Luxemburgo, vieram quase um mês depois de Minsk ter desviado um avião da Ryanair e detido o jornalista Roman Protasevich, opositor ao governo.

Em maio, Belarus desviou um voo entre Atenas e Vilnius para Minsk, medida que, segundo as autoridades do país, foi necessária devido ao alerta de bomba que receberam e que culminou na prisão do opositor que viajava no avião.

Para a UE, que imediatamente pediu às companhias aéreas que evitassem o espaço aéreo do país, o alerta de bomba foi uma farsa.

A decisão da UE provocou o cancelamento de vários voos da Air France. A Austrian Airlines anunciou o cancelamento do voo Viena-Moscou depois que as autoridades russas rejeitaram uma mudança de rota para evitar o espaço aéreo de Belarus.

Para a Rússia, Belarus tem sido transparente no caso. Logo após o incidente, a porta-voz da diplomacia de Moscou, Maria Zakharova, acusou os 27 países membros da UE de comportamento "irresponsável que coloca em risco a segurança dos passageiros" ao pedir que as companhias aéreas evitem o espaço aéreo bielorrusso.

No mês passado, os Estados Unidos anunciaram uma série de sanções contra Belarus. "O desvio forçado, sob falsos pretextos, de um voo comercial que circulava entre dois Estados membros da União Europeia, e a prisão do jornalista Roman Protasevich constituem um desafio direto às normas internacionais", disse a porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki, à época. 

O presidente bielorrusso rebateu as acusações dos países ocidentais, que consideram que o avião foi desviado para possibilitar a detenção do dissidente Roman Protasevich.

Lukashenko defendeu o desvio do avião como uma ação legal "para proteger o povo" de uma suposta ameaça de bomba no avião e alegou que não sabia que Protasevich estava a bordo.

Versão sob suspeita

As suspeitas de que o alerta de bomba foi uma encenação, no entanto, foram reforçadas por dois elementos.

A empresa Proton Technologies, com sede na Suíça, responsável pelo endereço da conta eletrônica responsável pela ameaça de bomba, revelou que "a mensagem foi enviada depois que o avião foi desviado".

O site Dossier.center publicou uma foto apresentada como a do e-mail, cuja hora de envio é 9H57 GMT. Mas a transcrição das conversas entre o voo FR4978 e os controladores aéreos bielorrussos, publicada por Minsk, estabelece que o piloto foi informado da ameaça às 9H30 GMT, e um minuto depois recebeu a recomendação de pousar na capital bielorrussa.

As autoridades de Belarus afirmam que o aeroporto de Minsk recebeu uma mensagem eletrônica assinada pelo movimento islamita Hamas informando sobre uma bomba a bordo.

Protasevich, que foi detido no aeroporto de Minsk com sua companheira Sofia Sapega, foi visto pela última vez em um vídeo divulgado pelas autoridades bielorrussas em maio, no qual supostamente admite ter ajudado a organizar motins, uma acusação que pode provocar uma pena de 15 anos de prisão./ AFP

 

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