UE aumenta oferta de ajuda ao Paquistão após enchente

A Comissão Europeia anunciou hoje que aumentará a ajuda humanitária às vítimas de enchentes no Paquistão para 70 milhões de euros (US$ 90 milhões). O aumento divulgado hoje é de 30 milhões de euros (US$ 39 milhões).

AE-AP, Agência Estado

18 de agosto de 2010 | 11h17

A comissária da UE para Ajuda Humanitária e Resposta à Crise, Kristalina Georgieva, disse que os fundos adicionais servirão para reforçar as operações de ajuda humanitária, realizadas por entidades parceiras. Georgieva seguirá para o Paquistão na segunda-feira para discutir as necessidades humanitárias do país com autoridades. Ela se reunirá com especialistas no tema e também se encontrará com vítimas das chuvas.

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, pediu aos líderes da União Europeia (UE) na semana passada que doassem mais dinheiro ao Paquistão. Ele sugeriu que o bloco europeu estabeleça uma força-tarefa para acelerar essa ajuda e garantir que ela chegue onde for preciso. Os ministros das Relações Exteriores da UE planejam discutir a ajuda de longo prazo ao Paquistão em uma reunião em setembro.

Previsão

As enchentes que atingem o Paquistão não devem perder força até o fim deste mês, afirmou hoje o principal meteorologista do país. A escala do desastre pressiona o governo, a polícia e o Exército, responsáveis pela maior parte do auxílio emergencial. Militantes islamitas confrontaram a polícia nesta madrugada no noroeste do país. Segundo a polícia, os insurgentes buscam explorar as fraquezas do Estado, no momento em que as autoridades lidam com as enchentes.

O principal meteorologista do Paquistão, Arif Mahmood, disse que há torrentes de rios que ainda devem atingir grandes cidades, como Hyderabad e Sukkur, no sul do país, com o risco de novas enchentes. Segundo ele, porém, não há previsão para fortes chuvas esta semana. "Esta é uma boa notícia para as agências de ajuda envolvidas nas operações de resgate e auxílio."

As enchentes começaram há três semanas e submergiram dezenas de milhares de vilas, matando cerca de 1.500 pessoas e afetando outras 20 milhões, segundo autoridades. As enchentes atingiram primeiro o noroeste, varrendo boa parte da infraestrutura da região. Em seguida, rios cheios no sul e leste do país deixaram milhões de desabrigados. Cerca de um quinto do território do Paquistão foi afetado.

As Nações Unidas apelaram na semana passada por US$ 459 milhões em ajuda internacional para auxílio imediato ao Paquistão. Grupos humanitários reclamam que a resposta até o momento foi tímida, mas um porta-voz da ONU anunciou hoje que mais da metade do dinheiro - 54,5% - havia chegado. "Isso é muito encorajador", disse o funcionário.

No entanto, o porta-voz notou que há a possibilidade de uma "segunda onda" de mortes, causada por doenças e pela fome. Ele também disse que os funcionários encarregados do auxílio humanitário tentam dar cobertas e tendas para 4,6 milhões de pessoas no Punjab e em Sindh que não têm abrigo.

Terrorismo

O noroeste do Paquistão é o epicentro da luta contra a Al-Qaeda e o Taleban no país. Ataques dos militantes, ontem, deram uma mostra da ameaça ainda representada pelos rebeldes. Um grupo de militantes matou dois membros de uma milícia que combate o Taleban na área de Adezai, em Peshawar, segundo o chefe de polícia de Peshawar, Liaqat Ali Khan.

Nas horas subsequentes, dezenas de militantes da região tribal de Khyber, que fica perto de Peshawar e da fronteira afegã, atacaram postos da polícia na área de Sarband. Houve troca de tiros por uma hora, até os militantes se retirarem para Khyber, de acordo com Khan. Vários militantes foram mortos, mas não houve baixas entre a polícia, segundo as informações oficiais.

O Taleban paquistanês pediu aos cidadãos que rejeitem qualquer auxílio estrangeiro, que, segundo o grupo, será simplesmente roubado pela elite, na empobrecida nação de 175 milhões de habitantes. O governo civil saiu maculado pela caótica resposta às enchentes, porém muitos observadores disseram que poucas administrações seriam capazes de gerir um desastre dessa proporção.

O presidente do Paquistão, Asif Ali Zardari, está na Rússia hoje para um encontro regional. Ele deve ficar apenas algumas horas no exterior e já voltar ao país. Anteriormente, Zardari foi criticado por uma viagem de vários dias à Europa, enquanto o país sofria com o desastre das enchentes.

O Exército tem cerca de 60 mil soldados trabalhando na resposta às enchentes. A maioria desses militares estaria, normalmente, confrontando insurgentes. A embaixadora dos EUA no Paquistão, Anne Patterson, disse ontem que é cedo para saber o impacto do desastre no Taleban e na Al-Qaeda no país, mas, segundo ela, a situação é alvo de preocupação de Washington. Os EUA pressionam o governo paquistanês para eliminar focos de insurgência no país.

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