UE celebra a vitória do ‘não’ em plebiscito escocês

Bloco europeu temia que independência da Escócia da Grã-Bretanha estimulasse movimentos separatistas 

Andrei Netto, ENVIADO ESPECIAL A EDIMBURGO, O Estado de S. Paulo

20 de setembro de 2014 | 00h39

Líderes políticos da União Europeia, chefes de Estado e de governo de França, Alemanha e Itália e até a direção da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) celebraram o resultado do plebiscito na Grã-Bretanha, que na quinta-feira, 18, deu vitória aos unionistas frente aos que defendiam a independência da Escócia. O alívio se deu pelo receio de que a secessão impulsionasse movimentos separatistas em outras regiões do continente, o que poderia ter efeitos colaterais sobre o mercado comum e a defesa militar.

Os cumprimentos ao premiê britânico, David Cameron, foram precedidos de uma avaliação sombria a respeito do plebiscito. Na quinta-feira, quando as urnas ainda estavam abertas, o presidente da França, François Hollande, atribuiu a necessidade de plebiscito a forças de “desconstrução” da União Europeia. “Eis o que se produz neste momento, essa conjugação de forças centrífugas que acabaram por perder o que era o espírito europeu”, advertiu, referindo-se ao movimento nacionalista na Escócia. “Entramos, e se trata de um perigo, em um processo de desconstrução, não só da União Europeia, mas dos Estados em si.”

Matteo Renzi, primeiro-ministro da Itália, celebrou o fato de que o resultado do plebiscito permitiu à Grã-Bretanha manter seus quatro países, Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte, no interior do mercado comum e do projeto europeu. 

Na Alemanha, a chancelaria parabenizou Cameron pelo resultado, mas fez questão de destacar as diferenças do caso escocês e o da região da Catalunha, na Espanha.

Mas a instituição que teve mais motivos para respirar aliviada foi a própria União Europeia. Há 30 meses, quando a ideia do plebiscito veio à tona na Grã-Bretanha, Bruxelas analisava o risco e temia um efeito cascata nos demais movimentos separatistas europeus, imaginando que eles pudessem ser inspirados por Edimburgo. 

O ainda presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, festejou o resultado como um voto de confiança em “uma Europa mais forte, unida e aberta”. 

“Durante o debate destes anos o governo e o povo escocês reafirmaram várias vezes seu engajamento em relação à Europa”, destacou Barroso, agora elogiando a intenção da Escócia de se manter como país-membro da UE independente do resultado.

E, em tempos de ressurgimento de Guerra Fria e de conflitos militares nas fronteiras da Europa, entre a Rússia e a Ucrânia, o secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, enviou seus cumprimentos a Cameron, aliviado com o fato de que o comando militar da Ilha da Grã-Bretanha seguirá unificado, e protegida pelo arsenal britânico de dissuasão nuclear, até mesmo no Mar do Norte, foco crescente de tensões em razão de suas potenciais jazidas energéticas, pelo trânsito marítimo e a localização estratégica.

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