UE cobra explicações dos EUA sobre escutas no bloco

Segundo a 'Der Spiegel', reuniões e instituições europeias foram alvos de monitoramento do governo americano

ANDREI NETTO , CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

01 de julho de 2013 | 02h08

As revelações feitas pelo agente Edward Snowden sobre o programa secreto americano de espionagem Prism seguem deteriorando as relações diplomáticas dos Estados Unidos. Ontem, líderes políticos da União Europeia exigiram explicações do governo de Barack Obama, um dia depois de a revista alemã Der Spiegel revelar que reuniões e instituições de Bruxelas foram alvos de escutas telefônicas clandestinas e de monitoramento de e-mails.

O novo escândalo veio a público no sábado. Segundo a Der Spiegel, os serviços secretos americanos espionaram redes de informação da União Europeia, o principal parceiro econômico, político e diplomático dos Estados Unidos no mundo. Os documentos secretos obtidos pela reportagem revelam que a Alemanha foi o principal país monitorado pela Agência Nacional de Segurança (NSA), responsável pelo Prism. Mais de 500 milhões de ligações telefônicas e mensagens eletrônicas trocadas na Alemanha teriam sido espionadas - cerca de 15 milhões por dia, 7 vezes mais do que na França.

A UE informou que entrou em contato com as autoridades americanas em Washington e em Bruxelas. "Eles nos disseram que verificariam a autenticidade das informações e voltariam a nos contatar", informou o bloco, em nota oficial.

Menos diplomática, a vice-presidente da Comissão Europeia, Viviane Reding, afirmou que os atos de espionagem são inaceitáveis entre parceiros políticos e advertiu que as negociações visando um acordo de livre comércio entre os dois lados do Atlântico podem ser interrompidas se as revelações se confirmarem. "Não podemos negociar um grande mercado transatlântico se houver a menor dúvida de que nosso parceiro escuta os escritórios dos negociadores europeus", advertiu.

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