UE comemora seus 50 anos entre dúvidas sobre seu futuro

A União Européia festeja na próxima semana seu 50º aniversário, uma festa marcada pelo sucesso do processo de integração e pelas constantes dúvidas sobre seu futuro. A comemoração vai passar por Berlim, sede de uma cúpula extraordinária; Roma, local do tratado original, de 25 de março de 1957; e Bruxelas, a capital européia. Mas os dirigentes pretendem apenas mostrar o lado positivo da UE, sem entrar nos problemas de fundo.A União Européia enfrenta um intenso debate sobre o que fazer com o projeto de Constituição, rejeitado por França e Holanda. A cúpula de Berlim, no sábado e domingo, aprovará uma declaração que procura criar o ambiente necessário entre os líderes para chegar a uma saída em junho.Mas, além da Constituição, há outras questões sem resposta sobre o futuro da UE. Ela deve continuar sendo uma união de Estados ou avançar rumo a uma estrutura federal? Devem ser criados limites para a ampliação?Apesar dos problemas que periodicamente disparam os alarmes de "crise" na UE, o certo é que a Europa unida é vítima de seu próprio sucesso. Ninguém questiona sua existência e os problemas se devem precisamente a seu vigor, suas ampliações e o crescente alcance de suas funções.Em meio século, a UE conseguiu enterrar a lembrança das guerras mundiais e criar órgãos comuns, um mercado comum, liberdade de circulação de pessoas, eliminação (parcial) de fronteiras e o euro, enquanto começa a desenvolver políticas comuns de relações exteriores, defesa, justiça e interior.As sucessivas ampliações e candidaturas mostram que todos os países europeus (com exceção de Noruega, Islândia e Suíça) querem entrar no clube.No entanto, as ampliações, que levaram o número de membros dos seis originais para 27, superando as antigas divisões da Europa, são também a origem da última crise.A ampliação exigiu uma reforma institucional profunda, que foi incluída no tratado constitucional. "Devemos equipar nossas instituições. Precisamos reforçar nossa capacidade de ação", disse na quinta-feira o presidente da Comissão Européia (órgão executivo do bloco), José Manuel Durão Barroso, em seu último discurso público.A ampliação de 2004, com 10 países de uma só vez, foi uma das causas da rejeição da Constituição Européia na França. Muitos franceses temem uma Europa que seja apenas um "mercado", com pouco conteúdo social, em que os países do centro e leste poderiam usar como trunfo os seus baixos salários.Surgido do desejo de superar a lembrança de duas guerras mundiais com dezenas de milhões de mortos, o Tratado de Roma simbolizou a paz definitiva entre os dois grandes rivais do continente, Alemanha e França. Itália, Holanda, Bélgica e Luxemburgo se uniram aos dois, com um grande apoio popular.Sucessivas ampliações do alcance dos órgãos comunitários e das suas políticas reforçaram o perfil de uma Europa unida, que elabora políticas sobre assuntos que vão dos subsídios agrícolas aos programas científicos, e dos fundos regionais à política de defesa e imigração.O euro, a moeda única européia que está a ponto de superar ao dólar como divisa mais usada no mundo, é outra conquista da Europa unida.NormalidadeNo entanto, a maioria da população européia de hoje, que não conheceu as guerras mundiais, vê a UE de quase 500 milhões de habitantes e suas conquistas como algo quase normal. Assim, não se conformam e esperam mais.A última pesquisa Eurobarômetro, divulgada em dezembro, mostrou que 53% dos europeus consideram positiva a participação na União, contra 16% contrários à idéia. O apoio vai de 78%, na Irlanda, e 74%, em Luxemburgo, a apenas 34% no Reino Unido e 36% na Áustria. Além disso, há empate em 33% entre os que acham que a União vai na direção certa ou na errada. Para tentar recuperar o apoio popular, combatendo a imagem da complicada burocracia de Bruxelas, a UE e especialmente a ComissãoEuropéia tentam aproximar as instituições do povo e oferecer uma "Europa de resultados".

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