UE congela recursos e contatos com o governo da ANP

Os ministros de Assuntos Exteriores dos 25 países-membros da União Européia (UE) chegaram hoje a um acordo para congelar a ajuda direta ao governo da Autoridade Nacional Palestina (ANP), comandado pelo Hamas. Os contatos políticos com os integrantes do grupo islâmico também serão suspensos. A presidente em exercício do Conselho do bloco, a ministra austríaca Ursula Plassnik, anunciou as duas decisões após uma reunião na qual os 25 países constataram que as novas autoridades palestinas continuam sem aceitar os requisitos do Quarteto de Madri para o Oriente Médio. O grupo, formado por UE, ONU, EUA e Rússia, tem por objetivo estabelecer os termos para a pacificação dos conflitos entre palestinos e israelenses. Em compensação, o bloco europeu prometeu estudar formas alternativas de financiamento para os projetos humanitários levados a cabo na região. "Não haverá ajuda às organizações comandadas pelo governo (do Hamas), mas manteremos a ajuda humanitária", disse o ministro do Exterior alemão, Ben Bot. Mas ele que aproveitou para justificar a decisão da UE: "Os palestinos optaram por esse governo, então terão que lidar com as conseqüências". Mais cedo, no entanto, a Comissária de Relações Externas do bloco, Benita Ferrero-Waldner, informou que a Europa continuará "ajudando o povo palestino". A entidade deve manter financiamentos nas áreas de eletricidade, alimentos, educação e outros projetos, "de forma que as necessidades humanas básicas sejam rapidamente atendidas", completou. O Hamas, que venceu as eleições legislativas palestinas de janeiro, está na lista de organizações terroristas da UE, o que impede que o bloco europeu mantenha qualquer tipo de contato com o grupo islâmico. Mas funcionários do governo europeu dizem que a ajuda humanitária pode continuar através de organizações internacionais. Para contar com a ajuda direta da UE, o governo do Hamas deve renunciar à violência, reconhecer a existência de Israel e respeitar os acordos previamente estabelecidos com Israel. "Castigo" Já o governo palestino lamentou a decisão. "É uma decisão errônea e injusta, um castigo coletivo contra todo o povo palestino, um castigo por haver exercido apenas seu direito democrático", disse o porta-voz do governo da ANP, Gazhi Hamad. Ainda segundo Hamad, para o Hamas, a decisão é "parte da política de isolar e matar de fome o povo palestino". "Esperávamos que a UE continuasse sua ajuda e apoio aos palestinos, mas infelizmente as pressões dos Estados Unidos e de Israel tiveram êxito", lamentou o porta-voz. Hamad acrescentou que em vez de uma decisão "para matar os palestinos de fome, esperava-se uma condenação dos massacres nos territórios da Cisjordânia e de Gaza, nos quais morreram 17 pessoas" desde sexta-feira. "Lamentamos que relacionem o apoio humanitário aos pobres e aos refugiados com uma decisão política", concluiu Hamad em aparente alusão às exigência da UE para que o Hamas reconheça Israel e os acordos de paz.

Agencia Estado,

10 Abril 2006 | 13h52

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