UE congela US$ 100 milhões do Afeganistão

Os governos de vários países do mundo estão intensificando o que o secretário do Tesouro norte-americano, Paul O´Neill, definiu nesta quarta-feira como "uma guerra econômica contra o terrorismo". Bancos europeus já interceptaram e congelaram cerca de US$ 100 milhões referentes a ativos do Afeganistão, numa operação iniciada em julho. Naquele mês, a União Européia (UE) recebeu apelo dos Estados Unidos para "bloquear" os ativos do saudita Osama bin Laden, que seria apontado no dia 11 como mentor dos ataques terroristas ao World Trade Center, em Nova York, e do Pentágono, em Washington.Só na Grã-Bretanha, foram imobilizados cerca de US$ 68 milhões. O´Neill disse que o governo de seu país está obtendo expressivos progressos na campanha para bloquear o financiamento de presumíveis grupos violentos, incluindo o Al-Qaeda (A Base), de Bin Laden. "Precisamos de toda ajuda possível para concluir a tarefa de secar as fontes de financiamento do terrorismo, começando pela Al-Qaeda", ressaltou O´Neill. "Estamos vendo sinais de êxito na busca por cooperação nesta guerra." O chanceler alemão, Gerhard Schroeder, pediu aos bancos centrais e aos especialistas em economia que definam políticas e ações coordenadas para "infligir penúrias financeiras" aos grupos radicais e a quem lhes fornece recursos. "Uma coalizão internacional contra o terrorismo deve ser eficiente sobretudo no plano econômico", destacou Schroeder, no Parlamento alemão. "Quem apóia o terrorismo deve sentir os efeitos financeiros e econômicos negativos." Na segunda-feira, o presidente George W. Bush congelou os ativos de grupos vinculados a Bin Laden nos Estados Unidos. Bush adotou também idêntica medida contra 27 indivíduos e organizações suspeitas de colaborar com o saudita e ameaçou imobilizar os ativos de bancos estrangeiros em território americano se eles não aderirem ao combate. A administração de Hong Kong está estudando a adoção de novas leis que permitirão confiscar eventuais depósitos de Bin Laden no território ou de grupos comprovadamente simpáticos a ele, informou ontem uma emissora de rádio local. A Grã-Bretanha e a França anunciaram já ter congelado o dinheiro dos indivíduos ou organizações que figuram na lista negra dos EUA. Suíça e Lichtenstein prometeram seguir o exemplo. Ernst Welteke, presidente do Bundesbank (banco central alemão), pediu aos dirigentes e parlamentares europeus que "relaxem" as normas relacionadas com o segredo bancário para fortalecer a campanha de estrangulamento das financias dos grupos terroristas e mafiosos. "Se as investigações em marcha sobre lavagem de dinheiro do narcotráfico, terrorismo e corrupção administrativa chegarem a um ponto morto por causa do segredo bancário, isso seria difícil de ser compreendido (pelos governos agora empenhados na guerra econômica contra o terrorismo internacional)", disse ele em entrevista ao Financial Times.

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