UE dá mais tempo para Irlanda digerir 'não' ao tratado de Lisboa

Líderes da União Européia concordaramnuma cúpula na quinta-feira em dar tempo à Irlanda para digeriro voto de "não" dado por seus eleitores a um tratado de reformada UE, depois de o primeiro-ministro Brian Cowen ter dito queainda era cedo para sugerir uma saída. Depois de a Grã-Bretanha ter elevado o ânimo na UE aoratificar o tratado em seu Parlamento, a maioria dos outrosoito países que ainda devem ratificar o tratado prometeramfazê-lo. Mas as demoras na Polônia e República Tcheca criarammais dúvidas em relação a um pacto que, segundo seusdefensores, é vital para a reforma das instituições do bloco. Os 27 líderes estavam determinados a mostrar aos eleitoresque a UE não está paralisada e está tratando de suaspreocupações principais na cúpula, especialmente a alta dospreços dos alimentos e combustíveis, embora não sejam prováveisdecisões imediatas a esse respeito. A França reclama que a inação da UE com relação aosproblemas enfrentados por pescadores, agricultores ecaminhoneiros foi um fator levado em conta na votaçãoirlandesa, mas um chamado do presidente Nicolas Sarkozy pelaadoção de um teto para o imposto sobre os combustíveis foirejeitado. Cowen e o presidente da Comissão Européia, José ManuelBarroso, disseram que não se deve encurralar a Irlanda comrelação ao tratado. Os dois evitaram responder sobre asperspectivas de se persuadir os eleitores irlandeses a votarnovamente -- uma opção largamente discutida em Bruxelas. "Concordamos que a Irlanda precisa de tempo para analisar avotação da semana passada e estudar opções", disse Cowen."Ainda é muito cedo para se fazer novas propostas." O tratado, que visa reforçar a liderança da UE, dotá-la deum sistema decisório mais eficiente e aumentar sua influênciaglobal, só poderá entrar em vigor se for ratificado por todosos 27 membros da União. Algumas das opções discutidas foram oferecer aos irlandesesgarantias de que o Tratado de Lisboa não enfraquecerá suaneutralidade, nem os privará de um comissário em Bruxelas,facilitará os abortos ou elevará impostos -- e então pedir quevotem novamente, como já aconteceu no passado com um tratadoanterior da UE. Uma representante do Sinn Fein, no núcleo do camporesponsável pelo "não", disse à Reuters que seria favorável aum novo tratado se recebesse garantias sobre neutralidade,direitos dos trabalhadores e serviços públicos.

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