UE decide impor sanções ao Kremlin

Restrições incluem suspensão de acordo para liberação de vistos e atingem preparações do G8

Andrei Netto, Enviado Especial / Simferopol, Ucrânia,

06 de março de 2014 | 23h30

Barroso (E) e Rompuy anunciam decisões do bloco em relação à Rússia (Foto: Julien Warnand/EFE)

SIMFEROPOL, UCRÂNIA - A União Europeia lançou na quinta-feira, 6, um sinal oficial de advertência à Rússia de Vladimir Putin. Ao término da reunião extraordinária de cúpula convocada para discutir a crise na Ucrânia, chefes de Estado e de governo anunciaram a criação de uma série de sanções políticas a Moscou.

As medidas incluem a suspensão de um acordo de liberação de vistos e o cancelamento das reuniões preparatórias para a próxima cúpula do G8, prevista para acontecer no balneário russo de Sochi.

A reunião do bloco europeu foi conduzida pelo presidente da França, François Hollande, pela chanceler da Alemanha, Angela Merkel, e pelo primeiro-ministro da Grã-Bretanha, David Cameron. As decisões foram anunciadas pelo presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, e pelo presidente do Conselho Europeu, Herman van Rompuy.

"Nos últimos dias, vimos o desafio mais grave para a segurança em nosso continente desde a guerra dos Bálcãs", afirmou Rompuy, advertindo que uma solução "só será alcançada pela negociação entre Ucrânia e Rússia, por meio de potenciais mecanismos multilaterais".

Caso as negociações não avancem, duas novas rodadas de sanções poderão ser implementadas, chegando ao campo econômico. "Se não for assim, passaremos a outras medidas, como a proibição de viajar para a União Europeia, o congelamento de ativos e inclusive o cancelamento da próxima cúpula entre União Europeia e Rússia", ameaçou Rompuy, advertindo para "consequências em amplas áreas econômicas".

Já Barroso lembrou que a prioridade da UE é uma solução diplomática negociada para a crise. Na prática, essa é a estratégia na qual Bruxelas aposta todas as fichas. Isso porque a Europa também tem muito a perder caso aplique restrições mais severas.

A Grã-Bretanha não tem interesse em sanções que afetem investidores russos do mercado financeiro britânico, a França não deseja um embargo de venda de armas para a Rússia - duas embarcações de guerra já negociadas estão em fase final de construção em estaleiros franceses - e a Alemanha depende em parte da energia exportada pelo governo de Putin.

Além das retaliações, a UE confirmou a disposição de auxiliar a Ucrânia em sua crise econômica. Um primeiro empréstimo - já previsto - de € 610 milhões foi oficializado e discussões para a concessão de um segundo, de € 11 bilhões, estão em andamento. Uma fatura de gás comprado da Rússia e que já atinge € 2 bilhões também será paga com socorro de Bruxelas, segundo confirmou o comissário europeu de Energia, Gunther Oettinger.

Entre investidores, um movimento para evitar novos aportes na Rússia, em razão da instabilidade política, já teria se iniciado. "A incerteza geopolítica em torno da Ucrânia incita os importadores a comprar de forma mais prudente e a diversificar suas fontes de aprovisionamento", detalhou estudo divulgado na quinta em Paris e assinado pelo economista Sébastien Poncelet, analista da consultoria Agritel. As exportações de milho para a Rússia poderiam ser afetadas em caso de sanções. Os três maiores vendedores do produto para Moscou são, por ordem, EUA, Brasil e Ucrânia.

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