REUTERS/Radovan Stoklasa
REUTERS/Radovan Stoklasa

UE decide ter guarda única para fronteiras

Apesar de acordo sobre segurança, cúpula de líderes avança pouco em relação a crise 

Andrei Netto CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S. Paulo

16 de setembro de 2016 | 18h58

Líderes de 27 países da União Europeia (UE) anunciaram nesta sexta-feira, 16, em Bratislava, na Eslováquia, a criação de uma Guarda de Fronteiras para controlar a imigração ilegal no continente. A decisão visa a limitar o fluxo de refugiados e ampliar a segurança dos países do bloco diante da ameaça do terrorismo. 

O acordo, no entanto, não se repetiu em áreas como a economia, já que chefes de Estado e de governo não chegaram a entendimento para políticas de crescimento e geração de emprego.

A cúpula foi a primeira sem a participação de um chefe de governo do Reino Unido, já que a primeira-ministra Theresa May não foi convidada. Um dos objetivos da reunião era deliberar sobre a estratégia do bloco após o choque provocado pelo voto em favor do Brexit, a saída britânica da união, no dia 23 de junho. Segundo o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, Londres deve solicitar de forma oficial o “divórcio” no início de 2017, em data ainda indefinida. 

Mas o Brexit acabou em segundo plano diante da preocupação de líderes políticos com uma resposta à crescente insatisfação popular em relação ao bloco. Segundo o presidente da França, François Hollande, a UE está ameaçada de perder sua sustentação e o principal desafio dos dirigentes europeus é “aproximar a Europa dos cidadãos”, levando em consideração o ceticismo em relação a Bruxelas. O tom de alerta foi reiterado no discurso da chanceler da Alemanha, Angela Merkel, que afirmou que o bloco está “em estado crítico”. 

Apesar de demonstrarem estar de acordo sobre a crise política da UE, os dirigentes continuam com dificuldades de chegar a decisões. Paralisado por um processo que depende de decisões unânimes, o bloco segue sem avançar em temas cruciais, como a economia.

Hoje, mais uma vez os países se dividiram sobre as medidas a serem adotadas para acelerar o crescimento e a geração de empregos.

Por outro lado, os líderes chegaram a um acordo sobre o reforço do controle de fronteiras exteriores da UE. O bloco criará uma Guarda de Fronteiras comum que se deslocará em caso de crise imigratória. 

Além disso, os serviços de inteligência nacionais passarão a utilizar uma plataforma de troca de informações para reforçar a luta contra o terrorismo. “Nós devemos mostrar em ações que podemos fazer melhor em áreas de segurança interior e exterior, luta contra o terrorismo e cooperação em matéria de defesa”, afirmou Merkel.


Mesmo com o acordo, o resultado da cúpula decepcionou vários dos líderes, como o primeiro-ministro da Itália, Matteo Renzi. “Foi um passo à frente, mas muito pequeno. Muito pequeno mesmo”, afirmou. “Sem modificar sua política econômica e imigratória, a Europa está arriscando muito.”

Para o cientista político Philippe Moreau-Defarges, do Instituto Francês de Relações Internacionais, a UE passa por uma crise histórica. “O contexto é terrível: ansiedade, inquietude, crescimento do ódio e dos delírios populistas em países da Europa Ocidental”, avaliou. “Os governos parecem paralisados pela dificuldade do quadro.”

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