BULENT KILIC/AFP
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UE defenderá na cúpula do G-20 que resposta a crise de refugiados seja global

Bloco europeu quer que outros países também recebam imigrantes que fogem da violência e da perseguição

Jamil Chade, CORRESPONDENTE / GENEBRA, O Estado de S. Paulo

13 de novembro de 2015 | 18h13

A onda de refugiados pela Europa promete dividir as maiores potências do mundo, reunidas a partir deste fim de semana na Turquia para a cúpula do G-20. A Europa indicou vai colocar o tema na agenda e apelar para que haja uma "resposta global" para a crise. Bruxelas vai deixar claro que não quer ser a única a receber os refugiados do Oriente Médio e África. Mas Rússia e China, além de alguns países árabes, devem vetar qualquer referência a uma estratégia global.  

Criado como uma espécie de diretório econômico no final dos anos 90, o G-20 terá uma de suas cúpulas mais "políticas" em anos e provavelmente uma das mais relevantes desde 2009, quando o encontro serviu para criar uma estratégia para lidar com a crise mundial.

Diplomatas europeus confirmaram que o bloco quer sair da cúpula, que será realizada na cidade de Antalya, com o reconhecimento de que a crise é um "problema global e necessita de uma resposta global". 

O bloco tem o apoio de algumas das principais organizações internacionais, que já alertam para o impacto de cerca de 1 milhão de refugiados entrando na Europa em 2015 e um total de 3 milhões até 2017. 

"A migração é um assunto global e precisamos trabalhar juntos para lidar com ela", declarou  Christine Lagarde, chefe do Fundo Monetário Internacional em um artigo publicado em seu blog oficial nesta semana. 

Tanto os negociadores russos quanto chineses indicaram que não querem assumir nenhum tipo de compromisso, o que impedirá uma linguagem mais enfática no comunicado final. Moscou deixou claro que não considerava que o tema deveria entrar na agenda do G-20, predominantemente econômico.

Mas a Europa espera conseguir pelo menos um compromisso maior dos sauditas e dos EUA de que estariam dispostos a aumentar suas cotas para refugiados.

O presidente da Comissão Europeia, Jean Claude Juncker, vai anunciar um aumento da ajuda financeira às entidades internacionais para lidar com o fluxo. Mas o que a Europa não quer é ser a única responsável pelos refugiados. "Queremos ver um compromisso de outros países para que também recebam parte dos refugiados", disse. 

Quem também tentará empurrar a agenda dos refugiados a um compromisso político é a Turquia, que tem 2 milhões de estrangeiros e é acusada pela comunidade internacional de estar manipulando a crise para ganhar influência no cenário internacional. 

Nesta semana, o bloco anunciou o envio de 3 bilhões de euros para ajudar o governo turco a lidar com o fluxo de refugiados. Também deu garantias de desbloquear as negociações para uma eventual adesão de Ancara à União Europeia. Em troca, a UE quer garantias de que os turcos darão serviços básicos aos refugiados, o que poderia reduzir o fluxo até a Europa.

Síria. A questão dos refugiados ainda estará ligada à da guerra na Síria, outro ponto que os anfitriões turcos fizeram questão de colocar na mesa de negociação. Poucos acreditam em um acordo. 

Mas o encontro não deve repetir o clima de isolamento em que o presidente russo, Vladimir Putin, foi colocado no ano passado, na reunião do G-20 na Austrália. Naquele momento, além de apoiar Bashar Assad, Putin ainda havia instigado uma forte desestabilização no leste da Ucrânia. 

Agora, o cenário na Síria mudou radicalmente com o fortalecimento do Estado Islâmico. Barack Obama e Putin não devem manter um encontro oficial. Mas a Casa Branca já deixou claro que os dois líderes devem conversar. 

Obama terá um encontro com o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, considerado fundamental na guerra contra o EI e para a resolução do conflito sírio. Em julho, os turcos permitiram o uso de suas bases para que uma coalizão americana atuasse na Síria. Mas o governo de Ancara teme o fortalecimento dos curdos sírios. 


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