UE deve enviar mais de 100 milhões de euros ao Haiti

Nações europeias se comprometeram hoje a enviar dezenas de milhões de dólares para ajudar na reconstrução do Haiti. A fim de auxiliar o país caribenho a superar o violento terremoto da semana passada, os países da União Europeia (UE) esperavam que suas doações passassem de 100 milhões de euros.

AE, Agencia Estado

18 de janeiro de 2010 | 10h23

Ministros de Desenvolvimento do bloco se encontram em Bruxelas hoje. Além de dinheiro, eles também discutem a possibilidade de enviar uma missão de segurança ao Haiti para ajudar a manter a ordem em meio ao caos causado por haitianos desesperados para conseguir comida e água. "O auxílio será de mais de 100 milhões de euros", previu um alto funcionário da UE. Um diplomata acrescentou: "O total final pode ficar acima dos 200 milhões de euros."

Funcionários internacionais encarregados do resgate lutam para lidar com o desastre de grandes proporções. Autoridades locais temem que o número de mortos possa chegar aos 200 mil. O governo haitiano anunciou que 70 mil corpos já foram enterrados. Outras 250 mil pessoas ficaram feridas e 1,5 milhão de haitianos perderam suas casas no terremoto de 7 graus na escala Richter, ocorrido na terça-feira.

Os novos fundos da UE virão de dinheiro já previsto no orçamento, mas ainda não gasto em outras áreas. Esses fundos são distintos do auxílio emergencial. Sob esta segunda denominação, nações da UE já se comprometeram a enviar entre 20 milhões e 30 milhões de euros, o que "deve crescer consideravelmente", previu um diplomata.

"É agora claro que a comunidade internacional está lidando com um nível sem precedentes de devastação", disse o secretário britânico para Desenvolvimento Internacional, Douglas Alexander, em comunicado. "O impacto do terremoto foi aumentado, pois atingiu um país que já era desesperadamente pobre e historicamente instável."

Relatório

Um relatório inicial da UE aponta que mais de 4 mil estruturas foram destruídas ou danificadas na capital haitiana, Porto Príncipe. Há dificuldades para que o auxílio chegue ao Haiti, onde um grande número de aviões tenta pousar no danificado aeroporto. Enquanto isso, milhares de pessoas não conseguem obter alimentos e água.

A previsão é que cheguem ao país hoje outros 7.500 soldados norte-americanos para auxiliar nos trabalhos. Já há no país 5.800 militares dos Estados Unidos. Um almirante norte-americano disse que mais auxílio humanitário estava chegando por meio de Guantánamo todos os dias. Washington mantém uma base militar em Cuba.

O ministro das Relações Exteriores da Espanha, Miguel Ángel Moratinos, disse que as Nações Unidas se comprometeram a fornecer apoio logístico para embarcações que levam suprimentos e também helicópteros para ajudar a descarregar esses componentes. Ele também afirmou que o mundo esperava que a UE fornecesse "unidades policiais, para proteger a distribuição do auxílio e preparar as estradas com engenheiros militares". Esse tema também era discutido em Bruxelas.

Força emergencial

O secretário de Auxílio ao Desenvolvimento do Reino Unido, Michael Foster, disse que os EUA já mantêm aproximadamente 10 mil soldados no Haiti. Segundo ele, isso deve ser "mais que suficiente" para a missão de segurança. Já o ministro de Desenvolvimento da França, Alain Joyandet, lembrou que uma força emergencial de mil soldados da UE poderia rapidamente ser enviada para ajudar na crise. A força policial conta com membros de França, Itália, Holanda, Portugal e Romênia.

"Essa tragédia requer que todos nós, por todo o mundo, empenhemos um esforço significativo para ajudar esse país e é isso que vamos fazer", afirmou a chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton. Ela viaja na quarta-feira para Nova York, onde terá encontros com funcionários dos EUA e da Organização das Nações Unidas (ONU). Catherine enfatizou a necessidade de se planejar o auxílio, para ele chegar a todos os que precisam.

Outro diplomata da UE disse que o bloco deve apoiar os pedidos para a realização de uma conferência internacional sobre a ajuda ao Haiti. Essa conferência deve ocorrer com o apoio da ONU e do Banco Mundial.

No Haiti, havia relatos de frustração crescente entre a população por causa da demora da ajuda em várias áreas. As ruas da capital estavam cada vez mais perigosas, com relatos de saques a lojas e inclusive de linchamentos. As informações são da Dow Jones.

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