UE deve suspender conversas sobre entrada da Turquia

A Comissão Européia deve recomendar nesta quarta-feira a suspensão das conversas da União Européia com a Turquia a respeito de sua entrada no bloco. O relatório da comissão foi divulgado uma semana antes do previsto, em razão da recusa de Ancara em abrir seus portos para o Chipre. O premier inglês Tony Blair disse que será um engano sério mandar à Turquia uma mensagem negativa sobre seu esforço para se unir à UE. A comissão havia alertado a Turquia que, se o país não incluísse o Chipre em seu pacto alfandegário com a UE, poderia acabar com as conversas a respeito de sua entrada no bloco, iniciadas em outubro de 2005. Na segunda-feira, Ancara rejeitou uma proposta de compromisso para encerrar o bloqueio sobre o Chipre, que continua dividido entre o norte - controlado pela Turquia - e o internacionalmente reconhecido Chipre grego, do sul. Diplomatas disseram nesta quarta-feira que a data para a recomendação da comissão havia sido adiantada em uma semana pois eles sentiram que não havia razão para acreditar que a Turquia iria mudar de posição sobre o Chipre. Os diplomatas falaram em condição de anonimato devido à delicadeza do assunto. Cautela Após encontro com o premier turco Recep Tayyip Erdogan, Blair disse a repórteres que apesar de a entrada do país no bloco possa demandar "compromissos de todos lados", falhar é inaceitável. "No momento, enviar um sinal adverso à Turquia seria um engano sério para a Europa a longo prazo. Blair disse ainda que "na Europa, encaramos uma divisão hoje entre considerações políticas de curto prazo[...]e os interesses estratégicos de longo prazo na Europa e no resto do mundo, que é ter a Turquia dentro da União Européia." O premier espanhol, Jose Luiz Zapatero, também ressaltou a importância de manter a promessa de uma eventual entrada da Turquia no bloco. "Na minha opinião, é importante que trabalhemos intensamente para garantir que a UE mantém suas portas abertas à Turquia". O premier finlandês Matti Vanhanen, cujo país detém a presidência rotativa da UE, irá visitar a Turquia na sexta-feira em uma última tentativa de mudar a posição da Turquia antes de uma cúpula no meio de dezembro, onde líderes da UE irão tomar um a decisão final sobre as negociações da entrada da Turquia. O Comissário de Crescimento Olli Rehn disse não ser a favor de uma suspensão total das conversas, que poderia causar um sério desgaste nas relações com Ancara. "O trem irá diminuir a velocidade, mas não irá parar", disse Rehn. Mas diplomatas dizem que a comissão pode recomendar um congelamento em seis ou mais áreas de políticas, incluindo alfândega, comércio e questões de transporte relacionadas à recusa da Turquia em abrir suas fronteiras para os produtos cipriotas. O progresso tem sido lento desde que começaram as conversas sobre a entrada, e apenas um dos 35 chamados capítulos de políticas - educação e cultura - foi fechado com sucesso nas conversas. Tal congelamento irá diminuir bastante as conversas sobre a entrada da Turquia na UE, que já acredita-se que irão durar ao menos dez anos, e da qual a UE não ofereceu garantias sobre uma eventual entrada no bloco. O Chipre foi dividido entre norte e sul desde a invasão da ilha pela Turquia, em 1974, antecipando uma tentativa de líderes gregos de forjar uma união com a Grécia. O Estado do norte é reconhecido apenas por Ancara, e tem estado sobre forte embargo há anos. Em 2004, logo após a ilha entrar na UE, eleitores gregos cipriotas rejeitaram uma proposta da ONU de unir a ilha, endossado por turcos cipriotas. A continuação das conversas sobre a entrada da Turquia dependiam de sua prontidão para comercializar com a parte grega do Chipre, que se uniu ao bloco em 2004. Em troca, a UE disse que iria levantar um embargo sobre a parte norte da ilha.

Agencia Estado,

29 Novembro 2006 | 09h24

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