UE discute em janeiro futuro de presos

Europeus buscam estratégia para ajudar Obama a fechar Guantánamo

Jamil Chade, O Estadao de S.Paulo

26 de dezembro de 2008 | 00h00

Os chanceleres da União Européia (UE) se reunirão em 26 de janeiro para debater oficialmente, pela primeira vez, uma estratégia para receber na Europa prisioneiros da base americana dos EUA em Guantánamo, Cuba. O debate, que ocorrerá apenas seis dias depois da posse de Barack Obama na presidência dos EUA, terá o objetivo de ajudar o futuro presidente a cumprir sua promessa de fechar o centro de detenção, que virou símbolo dos abusos cometidos durante a guerra ao terror do governo de George W. Bush.Como recentemente alguns países do bloco indicaram sua disposição em receber parte dos 248 prisioneiros, a idéia do encontro é dar uma resposta conjunta ao problema. Dos 27 países do bloco, Portugal e Alemanha já declararam publicamente sua intenção de receber os presos."Chegou o momento de a UE responder ao desafio de fechar Guantánamo", afirmou o ministro de Relações Exteriores de Portugal, Luis Amado. O apelo foi feito em carta enviada a todos os países da Europa no dia 10, data da comemoração dos 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Temendo que o plano de fechar a prisão de Guantánamo fracasse por não haver países que recebam os presos, a Alemanha já encomendou a especialistas um estudo para solucionar o problema, anunciou o chanceler Frank Walter Steinmeier.Na ONU, responsáveis por temas relacionados aos direitos humanos estão mediando negociações entre funcionários americanos e europeus para permitir o fechamento da prisão. O relator da ONU contra a Tortura, Manfred Nowak, está otimista com o processo. "Teremos um acordo e o fechamento de Guantánamo em 2009", garantiu ao Estado. O governo Bush vinha insistindo há bastante tempo para que os governos europeus recebessem os presos, mas a UE optou por esperar a posse de Obama para dar início ao processo. Fontes da Comissão Européia afirmaram que um acordo político nesse sentido seria fundamental para relançar as relações entre Europa e EUA, ainda que as implicações legais de tais medidas possam ser complexas e exigir até mesmo mudanças constitucionais.A Europa também pretende convencer o futuro governo Obama a modificar a forma de lutar contra o terrorismo. Para Bruxelas, governos democráticos precisariam combater grupos extremistas dentro do Estado de direito, e não à margem do direito internacional.

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