UE e Rússia advertem Israel para preservar Arafat

A União Européia e a Rússia advertiram hoje Israel para não confundir sua luta contra o terrorismo com a destruição da liderança palestina de Yasser Arafat. O ministro do Exterior da Espanha, Josep Pique, disse que a União Européia está considerando promover uma reunião extraordinária de chanceleres sobre a crise no Oriente Médio, mas não entrou em detalhes. Segundo uma fonte do Ministério, a reunião deverá ser realizada amanhã."Existe a necessidade de se distinguir entre luta contra o terrorismo e a destruição das estruturas políticas da Autoridade Palestina", afirmou Pique numa entrevista coletiva, em comentários endossados pelo ministro do Exterior russo, Igor Ivanov. Pique e Ivanov pediram a Israel e aos palestinos para implementarem imediatamente a última resolução do Conselho de Segurança sobre a crise. Hoje pela manhã, a chancelaria espanhola chamou o embaixador israelense para a Espanha, Herzl Inbar, e fez um apelo similar a ele."Tem de haver um cumprimento da resolução do Conselho de Segurança", disse Ivanov. "Existe uma necessidade de ação, de se resolver um problema e não criar outros que agravem a situação", acrescentou. A resolução 1402 do Conselho de Segurança, aprovada no sábado, pede um cessar-fogo e a retirada das tropas israelenses de cidades palestinas, incluindo Ramallah, onde forças de Israel assumiram o controle do quartel-general de Arafat.Pique, cujo país exerce a presidência rotativa da UE, promoveu discussões com Ivanov e o chefe dos assuntos de segurança da UE, Javier Solana. O encontro foi programado para preparar um cúpula entre a Rússia e a UE em 28 de maio, em Moscou."Existe a preocupação de que haja um desejo de enterrar Oslo", disse Solana, referindo-se aos acordos de 1993, negociados na capital norueguesa entre israelenses e palestinos. Ele afirmou que os acordos deveriam terminar com "dois Estados separados: Israel e a Palestina, ambos com fronteiras seguras"."Os acordos de Oslo têm de ser respeitados e Israel tem de garantir a continuidade da Autoridade Palestina", disse Pique. Caso contrário, acrescentou, pode haver conseqüências "irreversíveis" para a recuperação do processo de paz.Pique não descartou a imposição de sanções contra Israel caso seu Exército não se retire da Cisjordânia e devolva a liberdade de movimento a Arafat.

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