UE espera que Madri e Londres se acertem sobre Gibraltar

A Comissão Europeia declarou nesta segunda-feira que espera que o Reino Unido e a Espanha consigam resolver sozinhos sua disputa a respeito do território de Gibraltar, mas advertiu que as ameaças da Espanha de impor um imposto na fronteira representaria uma ação ilegal.

Agência Estado

19 de agosto de 2013 | 15h25

O porta-voz da Comissão Europeia, Olivier Bailly, disse que a taxa de entrada no território britânico, sugerida pelo ministro de Relações Exteriores espanhol José Manuel Garcia Margallo, não é oficial e que "qualquer imposto ou taxa imposto na fronteira de um Estado membro será ilegal sob a legislação da União Europeia (UE). Ilegal. Sem conformidade com as leis da UE."

O presidente da Comissão, José Manuel Barroso, discutiu a questão por telefone com o primeiro-ministro espanhol Mariano Rajoy nesta segunda-feira e concordou que uma comissão de averiguação deve ser enviada à região da fronteira de Gibraltar o mais rápido possível para examinar os controles de fronteira e a movimentação de pessoas e bens, informou a comissão em comunicado.

Barroso expressou expectativa de que Espanha e Reino Unido tratem da questão levando em consideração o fato de pertencerem à UE. Na semana passada, Barroso conversou com o primeiro-ministro britânico David Cameron.

A questão teve início com a construção de um recife artificial na costa de Gibraltar que, segundo a Espanha, prejudica seus pescadores. Numa aparente retaliação, a polícia espanhola colocou em prática verificações de fronteira em carros que entram em Gibraltar, o que resultou em grandes congestionamentos.

Rajoy defendeu as medidas de controle de fronteira, dizendo que elas são necessárias para combater o contrabando de tabaco e de drogas e que as ações estão em conformidade com as políticas de segurança usadas por membros da zona de viagens livre do Acordo de Schengen. O Reino Unido e Gibraltar não fazem parte de Schengen.

O ministro-chefe de Gibraltar, Fabian Picardo, disse que o recife impede a superexploração da pesca local. No domingo, ele declarou que "o inferno vai congelar" antes de Gibraltar remover o recife e acusou a Espanha de se comportar como a Coreia do Norte.

Gibraltar acusa Rajoy se usar a questão para desviar a atenção de seus cidadãos da severa crise econômica enfrentada pelo país e das acusações de corrupção envolvendo o Partido Popular, que está no governo. Fonte: Associated Press.

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