UE estende sanções a empresários e entidades da Síria

A União Europeia (UE) impôs novas sanções a sete empresários sírios - dentre eles um acusado de agir como intermediário na compra de petróleo do Estado Islâmico - e seis instituições que o bloco acredita que estejam ajudando o regime de Bashar Assad na Síria.

Estadão Conteúdo

07 Março 2015 | 10h21

Desde que o conflito sírio teve início, na primavera de 2011, a UE aplicou sanções contra 218 pessoas e 69 instituições, dentre elas braços do governo sírio e empresas privadas, por causa da repressão do governo contra a população civil.

Acredita-se que os empresários e instituições, cujos nomes foram publicados neste sábado no Jornal Oficial da UE, ofereçam apoio financeiro ao regime de Assad e a seu círculo interno.

Dentre as pessoas afetadas pelo congelamento de ativos e proibição de fornecimento de vistos está George Haswani, descrito como "importante empresário sírio" que segundo a UE age como intermediário para a compra de petróleo do Estado Islâmico pelo regime sírio. A venda de petróleo é uma das principais fontes de financiamento do grupo terrorista.

"Esta lista dá outra indicação de que a ''guerra'' de Assad contra o Estado Islâmico é uma fraude e que ele apoia o grupo financeiramente", disse o secretário de Relações Exteriores do Reino Unido, Philip Hammond, em comunicado. "Essas sanções mostram que a UE está unida em sua condenação às brutais políticas de Assad."

A lista também inclui a Organisation for Technological Industries, que de acordo com o bloco é uma subsidiária do Ministério da Defesa da Síria e tem fornecido armas químicas para o governo, além do DK Group, empresa sediada em Beirute (Líbano) que supostamente fornece dinheiro em espécie para o banco central Sírio.

Há muito tempo a UE pede a deposição de Assad. Alguns governos, como a França e o Reino Unido, têm oferecido significativa ajuda à oposição moderada no país.

Porém, com o regime de Assad ganhando vantagem no conflito, que já matou mais de 200 mil pessoas, há crescentes pedidos no interior do bloco para que a UE reconsidere sua posição em relação à guerra civil no país.

Alguns governos acreditam que a UE poderia ter um papel diplomático mais ativo para encerrar o conflito se derrubar suas insistência de que Assad não pode ser parte de um futuro governo de transição.

Outros argumentam que Estados membros da UE deveriam estar preparados para trabalhar com pessoas do regime de Assad na luta contra o Estado Islâmico.

Em entrevista ao Wall Street Journal na semana passada, a chefe da diplomacia da UE, Federica Mogherini, reconheceu que há um debate dentro do bloco sobre a melhor estratégia, mas disse que a UE mantém sua posição de não manter contato com o regime de Assad.

Porém, Mogherini ofereceu apoio a esforços diplomáticos, lançados pela Rússia, para intermediar uma solução política e para as ações do enviado especial da Organização das Nações Unidas (ONU), Staffan de Mistura, para garantir cessar-fogo em algumas cidades. A Rússia é uma das principais apoiadoras do regime de Assad e Mistura negocia diretamente com Assad. Fonte: Dow Jones Newswires.

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