UE exige liberação de soldado israelense e exército prepara ofensiva

A comissária européia de Relações Exteriores, Benita Ferrero-Waldner, pediu nesta segunda-feira a libertação "imediata" do soldado israelense seqüestrado no domingo por milicianos palestinos, e apelou a Israel para que responda com moderação à ação."(O soldado) Gilad Shalit deve ser libertado imediatamente", afirmou Benita em entrevista coletiva. Ela qualificou o seqüestro de qualquer pessoa como "deplorável", embora tenha destacado que este causa "especial consternação" por tratar-se da primeira ação deste tipo em 12 anos."Esperamos que os israelenses respondam a estes últimos eventos com moderação e prestem atenção especial à necessidade de evitar vítimas civis", acrescentou.O exército israelense está à espera de ordens do governo para iniciar uma operação contra as milícias palestinas na Faixa de Gaza para resgatar o soldado seqüestrado, enquanto prosseguem os contatos diplomáticos para a libertação do refém.O porta-voz do governo liderado pelo movimento islâmico Hamas, Ghazi Hamad, voltou a pedir aos milicianos que libertem o soldado, aparentemente ferido no pescoço e no abdômen.A prioridade para o governo do primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, e para as Forças Armadas comandadas pelo general do ar Dan Halutz é esgotar todos os meios diplomáticos para pressionar as autoridades palestinas e os milicianos e conseguir a libertação do refém, cujo paradeiro é desconhecido.A ministra de Exteriores israelense, Tzipi Livni, comunicou a situação a representantes do corpo diplomático estrangeiro, a quem pediu ajuda, antes de uma possível operação militar para resgatar o soldado.Operação resgateEm 1994, um soldado israelense que tinha sido seqüestrado por militantes palestinos morreu em uma operação de resgate junto a três de seus seqüestradores e um dos militares que participaram da ação.Funcionários da sede diplomática do Egito em Gaza informaram que fizeram contato com os milicianos, mas, por enquanto, Shalit continua em cativeiro e os seqüestradores, que aparentemente pretendem trocá-lo por prisioneiros detidos em Israel, se mantêm em silêncio.Segundo meios militares israelenses, existe o risco de que os milicianos queiram tirar o soldado da Faixa de Gaza pela passagem fronteiriça de Rafah com destino ao Egito ou a outro Estado árabe.As Brigadas dos Mártires de Al-Aqsa, a principal milícia do movimento nacionalista Fatah, liderado pelo presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, ameaçam atacar Israel com "armas químicas e biológicas" caso a Faixa de Gaza seja invadida.Preocupado com uma operação militar israelense em grande escala na região, Abbas disse nesta segunda-feira ao primeiro-ministro Ismail Haniyeh que pode ordenar que as forças de segurança da ANP procurem o soldado israelense "de casa em casa" em Rafah e na cidade de Khan Yunes.As milícias que reivindicaram o ataque na base israelense são as Brigadas de Izz al-Din al-Qassam, braço armado do Hamas, os Comitês Populares de Resistência e a nova milícia Exército Islâmico.A operação dos milicianos palestinos aconteceu enquanto representantes de Abbas e de Haniyeh negociavam um "acordo de reconciliação nacional" que poderia abrir caminho para restabelecer o processo de paz com Israel, estagnado desde 2001, e criar um Estado palestino independente na Faixa de Gaza e na Cisjordânia.Olmert responsabiliza Abbas e seu adversário político Hanieh pelo seqüestro do soldado, e no domingo aprovou todos os planos propostos pelo Estado-Maior no caso de uma possível campanha militar de grande escala em Gaza.Intervenção do EgitoUm enviado do presidente Mahmoud Abbas chegou ao Cairo nesta segunda-feira para pedir ao governo egípcio que intervenha para impedir uma operação israelense em Gaza, em represália ao ataque de milicianos palestinos à base de Israel.Segundo fontes palestinas e egípcias, o enviado, o general Jibril Rajub, assessor de segurança de Abbas, vai reunir-se com o chefe dos serviços secretos egípcios, Omar Suleiman, e o ministro egípcio deAssuntos Exteriores, Ahmed Abul Gheit.Dentro do regime egípcio, Suleiman é quem nos últimos dois anos dirigiu todas as tarefas de mediação entre israelenses e os palestinos, e também entre os diferentes grupos palestinos em suas freqüentes disputas.SeqüestroMilicianos palestinos seqüestraram o soldado Shalit, de 19 anos, no domingo, após matar outros dois soldados e ferir seis em um ataque a uma base militar israelense.Fontes dos grupos palestinos disseram que a operação é uma represália pelo assassinato, há três semanas, do chefe dos Comitês Populares, Jamal Abu Samhadana, e pela morte de mais de 20 civis em ataques da Força Aérea israelense em Gaza.

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