John Thys/AFP
John Thys/AFP

UE exige que Polônia e Hungria aceitem orçamento para reconstrução pós-pandemia

Bruxelas aumenta pressão para que governos húngaro e polonês retirem veto que pode provocar mais uma crise política no bloco 

Redação, O Estado de S.Paulo

17 de novembro de 2020 | 21h30

BERLIM - Com a União Europeia novamente à beira de uma crise, diplomatas, burocratas e líderes de países do bloco ampliaram nesta terça-feira, 17, a pressão para que Hungria e Polônia retirem o veto ao orçamento, que inclui um pacote de € 1,8 trilhão – o equivalente a R$ 11,4 trilhões – para a reconstrução da economia pós-pandemia. 

Hoje, o ministro alemão das Relações Exteriores, Heiko Maas, declarou estar “convencido” de que encontrará rapidamente uma solução para desbloquear o orçamento. “Nas próximas horas e nos próximos dias, vamos sentar com todas as partes para encontrar uma solução”, disse Maas. 

A Alemanha ocupa a presidência rotativa da UE até o fim do ano. “Somos em parte responsáveis por encontrar uma solução, depois que a Hungria e a Polônia impuseram seu veto.” 

Os líderes da UE têm uma reunião de cúpula por videoconferência na quinta-feira, originalmente convocada para discutir a crise do coronavírus. Agora, terão de encontrar uma saída para o impasse orçamentário. Hungria e Polônia se opõem ao termo que condiciona o acesso aos fundos da UE ao respeito ao estado de direito. Por isso, vetaram a aprovação do orçamento, deixando o bloco atolado em mais uma crise política.

“Não podemos apoiar o plano em sua forma atual de vincular os critérios do estado de direito às decisões orçamentárias”, disse Zoltan Kovacs, porta-voz do primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán. 

O embaixador da Alemanha, Michael Clauss, que presidiu a reunião da votação do orçamento, na segunda-feira, lamentou: “Perdemos muito tempo em face da segunda onda da pandemia e do impacto econômico”, disse. “É crucial que o pacote seja adotado rapidamente, caso contrário a Europa terá de enfrentar uma crise muito séria.”

A Alemanha se empenhou em resolver a batalha pela questão do orçamento antes do fim do ano. Os líderes da UE acreditavam que tinham resolvido a disputa sobre o orçamento e o plano de estímulo, durante uma árdua maratona de reuniões de quatro dias em julho.

Desde então, o orçamento e o pacote de estímulo estavam prontos para aprovação. No entanto, Polônia e Hungria permaneceram inflexíveis, rejeitando vincular seu financiamento futuro ao julgamento de Bruxelas sobre se seus gastos estão em conformidade com a legislação da UE. Diplomatas europeus disseram que não havia possibilidade de outros países concordarem em relaxar o acordo. / AFP

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.