UE exige que Saddam permita volta de inspetores

Os ministros de Relações Exteriores da União Européia tentaram hoje resolver suas diferenças sobre o Iraque ao reafirmar seu apoio aos esforços da ONU em obter o retorno dos inspetores de armas a Bagdá. Mas, durante seu encontro em Elsinore, Dinamarca, o ministro de Relações Exteriores da Alemanha, Joschka Fischer, reiterou a forte oposição de Berlim a qualquer ação militar para depor o presidente iraquiano, Saddam Hussein. O governo do presidente George W. Bush assegura que o Iraque está desenvolvendo armas químicas, biológicas e nucleares e discute uma invasão ao país ou uma campanha para depor Saddam do poder. Em comentários feitos durante vôo para a África do Sul, o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, aliado-chave de Washington, disse que o mundo precisa atuar firmemente para impedir o Iraque de desenvolver armas de destruição em massa em "flagrante violação" das resoluções da ONU. O chanceler da Dinamarca, Per Stig Moeller, anfitrião dos dois dias de reunião da UE em Elsinore, disse que os 15 países do bloco são unânimes em sua demanda para o retorno dos inspetores de armas. "Para a UE, o regime iraquiano precisa permitir o retorno dos inspetores imediatamente para descobrirmos se há armas de destruição em massa ou não", disse ele durante entrevista coletiva. "A negativa do Iraque de atender às obrigações internacionais é inaceitável. Ele não respeita as decisões da ONU", acrescentou. "É por essa razão que a UE acredita que o regime iraquiano necessita permitir a entrada dos inspetores da ONU", insistiu Moeller. "Encorajamos os EUA a prosseguirem com amplas consultas sobre a questão do Iraque." Os EUA ampliaram sua guerra de palavras contra o governo do iraque nos últimos dias. O vice-presidente Dick Cheney disse que mesmo o retorno dos inspetores de armas não seria suficiente e pediu abertamente a remoção de Saddam. Na quinta-feira, o vice-presidente iraquiano, Taha Yassim Ramadan, excluiu a possibilidade de os inspetores retornarem a seu país. "Para que serviria um gesto de boa vontade, permitindo a volta dos espiões (inspetores) se o governo dos EUA proclama noite e dia que esse não é o problema?", questionou Ramadan. Para o ex-presidente Bill Clinton, um ataque americano ao Iraque somente daria a Saddam uma desculpa para usar armas de destruição em massa contra os EUA e seus aliados. Clinton disse na sexta-feira que a atual administração deveria agir cautelosamente com relação ao Iraque e exortou o presidente George W. Bush a ouvir o Congresso e a opinião dos americanos. "Observando do lado de fora, parece que estamos dando o máximo incentivo agora para ele não usar essas armas e não dá-las a ninguém. Pois ele sabe que a América está preparada para ir atrás dele e o fará se ele fizer isso", disse Clinton em Nova York. "Se ele tiver certeza de que estamos indo (atacar), ele terá o incentivo para usá-las e dá-las a outras pessoas", acrescentou. A imprensa oficial da Síria acusou Washington hoje de desafiar a opinião pública ao ameaçar destituir o presidente iraquiano. "Do Oriente Médio a toda a Ásia, na Europa, África, América Latina e as Nações Unidas, nenhum país deixou de se posicionar sobre o Iraque", publicou o jornal Al-Thawra em editorial. "O resultado é uma total oposição internacional à política dos EUA sobre o Iraque, advertindo sobre suas conseqüências, confirmando que a diplomacia é a única solução possível e que a cegueira da América está levando a uma guerra contra o Iraque por outros motivos não declarados."

Agencia Estado,

31 Agosto 2002 | 14h03

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