EFE/HAYOUNG JEON
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UE exorta Reino Unido a iniciar procedimento de desligamento

Para presidente da França, François Hollande, voto britânico pelo Brexit expõe Europa a suas insuficiências; em Paris e Berlim, diplomatas preparam série de reuniões de cúpula para decidir reformas

Andrei Netto, correspondente / Paris, O Estado de S. Paulo

24 Junho 2016 | 07h57

PARIS - A União Europeia pediu na manhã desta sexta-feira, 24, que o governo do Reino Unido solicite de forma oficial o desligamento do país do bloco "no prazo mais curto possível". O apelo foi feito em Paris pelo presidente da França, François Hollande, e em Berlim pela chanceler Angela Merkel e ecoa uma decisão dos líderes europeus de virar o mais breve possível a página do Brexit, a saída britânica da comunidade europeia. Para o chefe de Estado francês, o voto de quinta-feira expõe as insuficiências do projeto europeu, que precisa reagir.

Em um pronunciamento solene realizado no Palácio do Eliseu, Hollande lamentou a decisão dos britânicos, que votaram por estreita maioria – 51,9% a favor e 48,1% contra – a favor da ruptura dos laços com Bruxelas. Para o presidente francês, a posição britânica põe o bloco em dificuldades. "O voto dos britânicos coloca a União Europeia frente a uma grave provação. É preciso tomar consciência de suas insuficiências", afirmou. "Um sobressalto é necessário. A Europa deve reafirmar seus valores: liberdade, solidariedade, paz."

Para Hollande, o momento é de reforçar a zona do euro e as ferramentas de governança democrática do bloco. "A União Europeia deve ser compreendida e controlada por seus cidadãos", disse, confirmando uma reunião bilateral de cúpula com a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, na segunda-feira. "Eu farei tudo para que nós adotemos uma mudança profunda em vez de um recuo."

Falando instantes depois, em Berlim, Angela Merkel expressou seu "grande lamento" pela decisão britânica e afirmou que se trata de um dia histórico para o projeto de integração. A chanceler reconheceu que a União Europeia tal como existe precisa ser reformada. "Nós não devemos esquecer a história e o princípio fundador da União Europeia é a paz. Nós não podemos encará-la como garantida", reiterou, reconhecendo que "a Europa está em estado de turbulência". "Vamos lembrar que a ideia da União Europeia é a ideia da paz europeia", completou.

Sobre o futuro imediato, Angela Merkel afirmou que o impacto do Brexit no bloco depende de como os 27 países-membros se posicionarão daqui para a frente. Além disso, ela defendeu uma parceria "o mais próxima possível" com o Reino Unido.

Ainda em estado de choque com o resultado do referendo que decidiu pela saída do Reino Unido da União Europeia, líderes políticos de França, Alemanha, Itália e Holanda preparam a resposta do bloco ao terremoto político em Londres. Uma série de reuniões diplomáticas e de cúpula está prevista para os próximos quatro dias para definir as primeiras medidas que Bruxelas tomará, e que devem incluir uma nova reforma dos tratados europeus para impedir a implosão do bloco.

Uma primeira reunião de ministros das Relações Exteriores dos seis países fundadores da União Europeia – França, Alemanha, Itália, Bélgica, Holanda e Luxemburgo – devem acontecer nesse sábado. O objetivo é definir os contornos da reforma institucional que será realizada. A reunião terá o ministro alemão Frank-Walter Steinmeier, o francês Jean-Marc Ayrault, o holandês Bert Koenders, o italiano Paolo Gentiloni, o belga Didier Reynders e o luxemburguês Jean Asselborn.

Em seu primeiro pronunciamento, Donald Tusk, presidente do Conselho Europeu – o órgão que reúne os chefes de Estado e de governo –, anunciou que medidas de contenção serão lançadas para evitar a implosão do bloco, que a partir da saída do Reino Unido terá 27 membros, e não mais 28. "Nós estamos determinados a manter a unidade com 27", reiterou. "Trata-se de um momento histórico, mas seguramente não um momento para reações histéricas."

Por ora, a maior preocupação é a coesão política da União Europeia, que perderá com a saída do Reino Unido 18% de seu PIB e 13% de sua população. Mas além disso há consequências práticas que deverão ser estudadas nos próximos meses, como a sorte de 1,3 milhão de expatriados britânicos em países da União Europeia – há 319 mil na Espanha, 249 mil na Irlanda e 171 mil na França. Temas como vistos, seguridade social, planos de saúde, autorizações de trabalho estão em aberto. 

Veja abaixo: Brexit: o que é e quais as consequências

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