Yves Herman/AP
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UE falha em fechar acordo sobre primeiro orçamento sem o Reino Unido

Saída do Reino Unido do bloco em janeiro, uma potência militar e econômica, representa uma perda de € 12 bilhões aos cofres de uma UE que também quer financiar novas políticas

Redação, O Estado de S.Paulo

21 de fevereiro de 2020 | 17h10

BRUXELAS - Os dirigentes da União Europeia (UE) fracassaram nesta sexta-feira, 21, em chegar a um acordo sobre seu primeiro orçamento comum sem o Reino Unido, disseram várias fontes europeias ao final de uma cúpula de dois dias em Bruxelas.

"Infelizmente, constatamos que não foi possível chegar a um acordo. Precisamos de mais tempo", assegurou em entrevista coletiva o chefe do Conselho Europeu, Charles Michel, lembrando o buraco deixado pelo Brexit.

A saída do Reino Unido do bloco em janeiro, uma potência militar e econômica, representa uma perda de € 12 bilhões (RS$ 57,2) aos cofres de uma UE que também quer financiar novas políticas.

O bloco se dividiu entre os países ricos, conhecidos como "frugais", favoráveis a uma menor contribuição no próximo Marco Financeiro Plurianual (MFP) 2021-2027 e os que pediam para ser mais ambiciosos.

"As diferenças ainda são muito grandes para se chegar a um acordo", reconheceu a chanceler alemã, Angela Merkel, antecipando que deverão se reunir novamente em uma data que Michel ainda deve determinar.

Mas o tempo urge. A titular da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, lembrou que sem um orçamento para o fim do ano, programas populares, como o Erasmus, de intercâmbio estudantil, poderiam ser afetados em 2021.

Na mesa dos dirigentes estava a princípio uma proposta de Michel de um MFP de 1,074% da Renda Nacional Básica (RNB), equivalente a cerca de € 1,094 trilhão, que não conseguiu convencer os líderes.

Uma proposta de compromisso apresentada pela Comissão Europeia após dois dias de discussões, que reduziu o volume a 1,07% da RNB e correspondia às exigências de alguns países, tampouco prosperou.

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"Rejeitamos um acordo ruim", assegurou o presidente francês, Emmanuel Macron, apesar de a Comissão Europeia ter proposto um corte menor às ajudas dos agricultores, um setor sensível na França.

Para Macron, que no sábado deve comparecer ao Salão da Agricultura de Paris, um evento político chave, "não é a Política Agrícola Comum (PAC) a que deve pagar pelo Brexit".

A firmeza de Áustria, Holanda, Suécia e Dinamarca, conhecidos como os "frugais", em defesa de um orçamento de 1%, pôs na defensiva os "Amigos da Coesão", 15 países favoráveis a um gasto maior.

A última proposta foi "muito insuficiente e se distancia muito da posição da Espanha", assegurou uma fonte do governo espanhol, destacando que esta também era a postura dos Amigos da Coesão. / AFP

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