UE faz reunião de emergência para discutir Iraque

Os líderes da União Européia (UE) desembarcam hoje, em Bruxelas, no final da tarde, para uma reunião extraordinária, convocada pela presidência grega. Tentarão juntar os cacos do estrago institucional do bloco, causado há duas semanas, pela "carta dos oito", que dividiu a Europa em pró e contra os Estados Unidos, e por meio dos debates, tentarão nada mais, nada menos, adotar uma posição comum sobre o Iraque sob a influências dos acontecimentos dos últimos três dias: o relatório de Hans Blix e Mohamed ElBaradei apresentado na sexta-feira, dia 14, e as grandes manifestações contra a guerra, que levaram multidões às ruas nas principais capitais do planeta, no sábado.A tendência da reunião de hoje, pelos trabalhos preparativos, que começaram ontem à noite, comenta uma fonte comunitária à Agência Estado, é "fechar um consenso em torno de um prazo para que o trabalho dos inspetores da ONU sejam "úteis e efetivos", principalmente depois de constatado o nível de apoio popular contrário à uma ação militar no Iraque". Há também a considerar, o pedido do primeiro ministro britâncio, Tony Blair, de que a UE não exclua a possibilidade da ação militar como "último recurso"."Não há como desconsiderar as concentrações pacifistas deste fim de semana", comenta a mesma fonte. Em Londres, eram esperadas 500 mil pessoas e acabaram computando 1 milhão; em Roma, havia previsão de 100 mil e também foram mais de 1 milhão de pessoas nas ruas, ao todo chegaram a 10 milhões de pacifistas. "O apoio popular contra a guerra deve retrair as intenções daqueles que defendem um apoio aos Estados Unidos para uma nova resolução na ONU", reforça a fonte da Comissão Européia.O presidente espanhol, José Maria Aznar, enviou uma carta a seus homólogos, neste sábado, defendendo que as deliberações sobre o Iraque se concentrem "na aplicação estrita e em um breve prazo da resolução 1441" das Nações Unidas. Aznar foi mentor, juntamente com Blair, e signatário do texto comum dos oito dirigentes de países europeus (além de Espanha e Reino Unido, assinaram Itália, Portugal, Dinamarca e três do antigo Leste, Hungria, Polônia e República Tcheca), publicado dia 31 de janeiro, em diversos jornais. Juntos, os chefes de Estado e governo reafirmaram a "importância da relação transatlântica com os Estados Unidos", declarando apoio às iniciativas do presidente George W. Bush em relação ao Iraque.Hoje, serão os quinze. Os líderes europeus, pelas últimas conversas telefônicas, trocadas no final deste domingo com líderes da Comissão Européia, inclinam-se a pedir mais tempo e meios aos trabalhos de Blix e ElBaradei. Qual a estratégia a ser adotada, de "maneira consensual", para evitar que Saddam Hussein pareça fortalecido depois dos acontecimentos dos últimos dias perante à opinião pública? Essa será a questão-chave a ser debatida hoje, quando Javier Solana, o chanceler da UE, tentará evitar mais uma vez que os países se dividam em opiniões diferentes. Entretanto, um ponto é consensual: "A UE vai reiterar, com firmeza, a necessidade do desarmamento iraquiano", indicou a porta-voz de Solana, Cristina Gallach.PreparativosO trabalho interno começou na noite deste domingo, quando representantes dos quinze já se reuniram, em Bruxelas, para preparar um esboço de uma posição comum.Os pontos em aberto ficam para os ministros das relações exteriores que se reúnem durante esta manhã. A Cúpula dos líderes europeus começa às 18 horas com uma sessão de uma hora e meia, podendo ser prorrogada. Primeiro falará o presidente do Parlamento europeu, Pat Cox, e em seguida, o secretário geral da ONU, Kofi Annan.Antes de participar da Cúpula, Kofi Annan estará no Parlamento para uma reunião, a portas fechadas, com os grupos europarlamentares. Não há previsão de uma reunião, em separado, para os dirigentes dos países com representação no Conselho de Segurança da ONU, formado pelo eixo franco-alemão, o presidente Jacques Chirac e o chanceler Gerhard Schroeder, e pela parceria hispano-britânica, Aznar e Blair.Os líderes de governo dos dez países candidatos não foram convidados pela presidência grega, sob a alegação oficial de que o Tratado da UE não permite aos futuros membros participar em debates do Conselho Europeu até que seja assinado o Tratado de adesão.

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