UE impõe sanções contra presidente da Bielo-Rússia

Líderes da União Européia (UE) decidiram nesta sexta-feira punir o presidente bielo-russo Alexander Lukashenko, após a realização de eleições vistas amplamente como fraudulentas, anunciando que irão impor "restrições" contra o líder autoritário. Dentre as medidas, os países decretaram a proibição de que Lukashenko viaje pela Europa. "Decidimos adotar medidas restritivas contra aqueles que são política e administrativamente responsáveis pelas violações ... Incluindo o presidente Lukashenko", disse a ministra do Exterior austríaca, Ursula Plassnik, cujo país exerce a Presidência rotativa da UE. A decisão da UE coloca Lukashenko na mesma lista negra em que está o presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, que teve seus vistos europeus congelados. Os oficiais da UE estão discutindo planos para expandir medidas específicas, que atualmente se aplicam apenas a seis funcionários do alto escalão do governo bielo-russo e não incluíam Lukashenko. Protestos Plassnik pediu também que as autoridades da Bielo-Rússia "refreassem qualquer ação mais profunda contra os manifestantes", depois que a polícia prendeu centenas de oposicionistas que acampavam desde a noite do último domingo na Praça de Outubro, no centro da capital, Minsk, em protesto contra a vitória de Lukashenko. Em Washington, o secretário de imprensa da Casa Branca Scott McClellan disse que os Estados Unidos irão juntar-se à UE aplicando as restrições de viagem e sanções financeiras. "Nós pedimos a todos os membros da comunidade internacional que exijam que as autoridades da Bielo-Rússia respeitem os direitos de seus cidadão de se expressar pacificamente e que condenem todo e qualquer abuso", disse McClellan. O primeiro-ministro da Polônia, Stephan Miller informou à imprensa que espera que as sanções sejam aplicadas a partir de abril. O primeiro-ministro sueco, Goran Persson, reconheceu que não sabe se "agora é o momento adequado" para impor novas sanções ao regime bielo-russo, mas não se deve "excluir" tal possibilidade. Outras sanções Outras sanções da EU, especialmente medidas econômicas, contra o governo de Lukashenko não estão previstas, porque o bloco quer atacar os líderes individualmente ao invés da economia do país inteiro. As trocas comerciais entre a Bielo-Rússia e a EU representam apenas 0,1% do total negócios do bloco. Contudo, em 2004, cerca de 4,99 bilhões de euros do total de 13,85 bilhões provenientes de trocas comerciais externas da Bielo-Rússia, vêm da União Européia. Os principais produtos de exportação para a União Européia incluem óleo mineral, lubrificantes e materiais semelhantes, enquanto a Bielo-Rússia importa máquinas e produtos automotivos da EU. A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, disse que a UE continua apoiando "a oposição pacífica" e adicionou que o bloco deve agir restringindo aqueles que impedem as escolhas democráticas". Os líderes da União Européia mostraram seu apoio aos grupos de oposição na Bielo-Rússia que lutam por reformas democráticas, exaltando seus "bravos esforços para o avanço da causa democrática em circunstâncias excepcionalmente difíceis". Prisões A União Européia solicitou nesta sexta-feira a libertação dos 200 manifestantes detidos na noite passada na capital bielo-russa, Minsk, e pediu a seus parceiros internacionais, em particular aos países vizinhos de Bielo-Rússia, que sigam a mesma posição. Plassnik pediu às autoridades bielo-russas que "respeitem o direito de reunião e libertem os detidos", ao chegar à cúpula de líderes da UE em Bruxelas, na qual se voltará a debater possíveis novas sanções contra Minsk. De acordo com os resultados oficiais, o pleito do dia 19 foi vencido, com mais do 82% dos votos, pelo presidente Alexander Lukashenko, no poder desde 1994. Os manifestantes exigiam a anulação do pleito presidencial realizado no domingo passado. Sua ação começou a noite de domingo, após as primeiras sondagens oficiais de boca-de-urna.

Agencia Estado,

24 Março 2006 | 16h05

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