UE mostra preocupação com liberdade de imprensa

A Comissária de Justiça da União Europeia, Viviane Reding, disse nesta quinta-feira que também está preocupada com questões de liberdade de imprensa depois que autoridades do Reino Unido detiveram o brasileiro David Miranda, namorado do jornalista norte-americano Glenn Greenwald, por nove horas no aeroporto de Heathrow, em Londres.

AE, Agência Estado

22 de agosto de 2013 | 09h01

Miranda foi detido e mantido incomunicável pelas autoridades britânicas neste domingo, com base na lei de combate ao terrorismo do país europeu. Já Glenn Greenwald, namorado do brasileiro, é um dos jornalistas para os quais o ex-agente dos EUA Edward Snowden revelou documentos secretos sobre espionagem cibernética praticada pelos Estados Unidos, incluindo a governos de países parceiros.

"Eu compartilho plenamente das preocupações de Jagland", disse Reding em uma mensagem no Twitter, referindo-se a uma carta enviada ao governo britânico pelo líder do Conselho da Europa, Thorbjoern Jagland.

o editor do Guardian, Alan Rusbridger, afirmou que foi ordenado anteriormente a destruir alguns dos arquivos secretos do jornal sobre Snowden durante uma visita de um alto funcionário do governo há um mês.

O governo confirmou nesta quarta-feira que o funcionário enviado ao Guardian era o Secretário de Gabinete, Jeremy Heywood, um funcionário público politicamente neutra e o assessor de política mais antigo do premiê David Cameron.

"Estas medidas, se confirmadas, podem ter um efeito potencialmente negativo sobre a liberdade de expressão dos jornalistas, garantida pelo artigo 10 da Convenção Europeia dos Direitos Humanos", disse Jagland na carta.

Com base nos documentos de Snowden, que recebeu asilo temporário na Rússia, o Guardian publicou detalhes sobre programas de vigilância realizados por operações de espionagem norte-americanos e britânicos.

Nesta quinta-feira, o Guardian compareceu a um tribunal britânico para pedir um mandato que proteja os bens que o governo confiscou de Miranda.

Os advogados de David Miranda disseram que os itens apreendidos contêm informações confidenciais e pediram ao Supremo Tribunal que impeça que o governo "inspecione, copie ou compartilhe os dados". Autoridades britânicas confiscaram computadores, cartões de memória e outros itens eletrônicos de Miranda, quando ele foi detido e interrogado durante nove horas no aeroporto de Heathrow.

"A confidencialidade, uma vez perdida, claramente nunca poderá ser restaurada", disse o advogado Gwendolen Morgan em um comunicado. "Se uma medida provisória não for concedida, então o requerente sofrerá um prejuízo irremediável, assim como as outras fontes jornalísticas cuja informação confidencial está contida no material apreendido". Fonte: Associated Press e Dow Jones Newswires.

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