UE paralisa negociações de adesão da Turquia ao bloco

A União Européia (UE) decidiu nesta segunda-feira paralisar parcialmente as negociações com a Turquia para a adesão do país ao bloco, em resposta ao descumprimento turco do compromisso de abrir seus portos e aeroportos ao Chipre. Em princípio, esta atitude impede que o tema da adesão seja discutido na cúpula de líderes da UE desta semana.Os ministros de Assuntos Exteriores do bloco chegaram a um acordo que segue as principais linhas da proposta da Comissão Européia (CE), no qual acreditam ter atingido um ponto de equilíbrio entre as opiniões que pediam uma linha mais dura ou mais flexível com a Turquia.O acordo estabelece o congelamento de oito dos 35 capítulos das negociações, e impede que os outros 27 sejam concluídos até que o cerne da questão seja solucionado: a abertura da Turquia ao tráfego aéreo e naval com o Chipre, país membro da UE não reconhecido por Ancara.Além disso, os ministros chegaram a um acordo que prevê um controle anual da Comissão (especialmente em 2007, 2008 e 2009) sobre o cumprimento turco do protocolo adicional de Ancara, que amplia o acordo alfandegário com a UE aos dez países que entraram no bloco em 2004, dentre os quais se encontra o Chipre.No entanto, a proposta de alguns dos países que pediam uma política mais dura em relação à Turquia não foi aprovada. Eles pretendiam suspender as negociações durante um período de 18 meses, após os quais os progressos de Ancara seriam revisados. A decisão foi "cuidadosamente pensada" e "consegue um equilíbrio adequado" para passar a mensagem à Turquia de que sua falta decompromisso tem conseqüências, segundo nesta segunda-feira o comissárioeuropeu para a Ampliação, Olli Rehn.Em princípio, o acordo firmado nesta segunda impede que o assunto seja discutido na cúpula de chefes de Estado e governo da UE que será realizada na quinta-feira e sexta-feira, além de também afastar o fantasma de uma grave crise na UE, caso os líderes não chegassem a uma posição comum. "Não haverá uma cúpula sobre a Turquia", declarou Erkki Tuomioja, ministro de Exteriores da Finlândia, país que exerce a Presidência rotativa do bloco.Apesar da decisão, a UE reiterou que "mantém a porta aberta para a Turquia".Tuomioja admitiu que este acordo pode ser "decepcionante" para os turcos, mas ressaltou que deve ser considerado como "um estímulo" para a continuidade do processo interno de reformas e de aproximação com a Europa. O bloco chegou a esta reunião bastante dividido e a proposta da Comissão, apresentada pela Presidência, ganhou representatividade ao ser apoiada por França e Alemanha."A posição da Comissão é equilibrada", disse o ministro francêsPhilippe Douste-Blazy. Segundo o ministro de Relações Exteriores da Espanha, Miguel Ángel Moratinos, muitos países cederam em suas posturas para obter um "compromisso" que pudesse ser aceito por todos, e que permitisse ao mesmo tempo enviar um sinal à Turquia, manter as negociações e evitar que a questão pudesse afetar a cúpula.Os ministros de Exteriores não discutiram a proposta apresentada pela Turquia na semana passada, na qual propunha a abertura de um porto e um aeroporto ao Chipre, dentro de um processo de fim do bloqueio econômico que a zona turca do norte da ilha vive. Além disso a Presidência finlandesa da UE emitiu uma declaração política de apoio ao processo das Nações Unidas para tentar reunificar a ilha do Chipre, dividida desde 1974.

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