UE pede a Israel que não use força militar

A União Européia (UE) manifestou-se, nesta segunda-feira, três vezes para tentar convencer Israel a abandonar o uso excessivo da força militar e retomar o caminho do diálogo, reduzindo, por exemplo, os assentamentos judaicos em territórios ocupados na Cisjordânia e na Faixa de Gaza. Em significativa sincronia, declarações deste teor dirigidas também aos palestinos foram formuladas pela presidência da UE - da qual a Suécia é a atual encarregada - durante a primeira reunião do Comitê de Associação UE-Israel. As declarações foram levados a público pelo alto representante de Política Externa e Segurança, Javier Solana, e pelo comissário de Relações Exteriores, Chris Patten. Em uma reunião realizada em Bruxelas no âmbito do Acordo de Associação entre a União Européia e Israel, a presidência sueca afirmou que as "legítimas preocupações" de Israel por sua segurança "devem ser enfrentadas respeitando os direitos humanos, dentro de um quadro legal". Ao referir-se implicitamente às incursões aéreas, a declaração afirma que "este contexto de uso desproporcional da força é inadmissível", assim como as execuções sumárias de palestinos, as chamadas "mortes extrajudiciais". Em nome dos 15 Estados da UE, o Ministério de Relações Exteriores da Suécia pediu "fortemente" a Israel não só o bloqueio de novos assentamentos em território palestino, mas também a "reversão de sua política de assentamentos", com o objetivo de reduzir a presença de colonos em territórios ocupados. "Os assentamentos são ilegais do ponto de vista do direito internacional e constituem um grande obstáculo para a paz", sustenta a União Européia. A "maior garantia para a segurança de Israel" também frente aos Estados árabes é evitar o "colapso econômico e institucional" da Autoridade Nacional Palestina (ANP), transformando-a em um Estado soberano, democrático, vital e pacífico". Solana, em uma declaração divulgada em Gaza, sublinhou que as recomendações de cessar fogo e novas negociações apresentadas pelo relatório da Comissão Mitchell, fruto do trabalho de um grupo de observadores internacionais liderado pelo ex-senador norte-americano George Mitchell, oferecem a todas as partes envolvidas "uma ocasião para quebrar este infernal ciclo de violência". Junto à iniciativa egípcio-jordaniana, ratificou ele, o relatório da Comissão Mitchell "oferece a melhor oportunidade para a paz". O "forte apoio" da UE às recomendações da Comissão Mitchell, "que representam um caminho excelente e equilibrado para retomar o diálogo e um foco de esperança para a região", foi compartilhado pelo comissário europeu de Relações Exteriores, Chris Patten. Em Pequim, onde realiza uma visita oficial, Patten disse ter ficado chocado com os recentes acontecimentos e lançou um pedido a israelenses e palestinos para que "trabalhem por um cessar-fogo imediato".

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