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UE pede ao Irã liberação imediata de marinheiros britânicos

A União Européia (UE) lamentou a captura dos 15 marinheiros e fuzileiros navais britânicos detidos pelo Irã no Golfo Pérsico e pediu a liberação imediata deles, segundo um comunicado divulgado nesta sexta-feira, 30. Em declaração conjunta, os ministros de Relações Exteriores da UE pediram pela "imediata e incondicional liberação" dos militares, em comunicado aprovado durante uma reunião na cidade de Bremen, na Alemanha. O texto alerta ainda para a adoção de "medidas apropriadas" caso Teerã continue a não cooperar.A UE expressou "apoio incondicional" ao Reino Unido, que alega que os britânicos foram capturados em águas iraquianas, contrariando a afirmação de Teerã de que eles estavam em território iraniano.A linguagem do comunicado europeu é mais forte do que a declaração de "grave preocupação" de um comunicado emitido pelo Conselho de Segurança da ONU na noite de quinta-feira, 29.Nesta sexta-feira, a missão do Irã na ONU condenou o comunicado do Conselho de Segurança, classificando-o como "inaceitável, injustificável e sem razão". Para Teerã, a disputa deve ser resolvida entre os governos do Irã e do Reino Unido.Entretanto, o chefe da política externa da União Européia, Javier Solana, disse que entrará em contato com a liderança iraniana "nas próximas horas" para discutir o assunto. Ele afirmou já ter conversado com o negociador nuclear iraniano Ali Larijani e com o Ministro de Relações Exteriores, Manouchehr Mottaki, e que tentaria falar com o presidente, Mahmoud Ahmadinejad."Os líderes iranianos devem entender que não se trata de um assunto bilateral" entre o Irã e o Reino Unido, disse Solana. "Eles precisam entender que qualquer coisa que acontece para cidadãos da UE, acontece para toda a União."ParadeiroOs ministros pediram também que o Irã "informe imediatamente" o governo britânico sobre o paradeiro dos detidos, além de dar acesso para que diplomatas britânicos verifiquem as condições dos prisioneiros. A crise sobre as prisões vêm num momento em que as relações do Irã com a comunidade internacional está abalada pela resistência de Teerã em suspender seu polêmico programa de enriquecimento de urânio. Potências mundiais como EUA e Reino Unido temem que a atividade tenha por objetivo desenvolver tecnologia para a produção de armas atômicas. No sábado, a ONU endureceu sanções contra o Irã. A República Islâmica, entretanto afirma que seu programa nuclear tem fins pacíficos.RússiaApós exercer oposição à adoção de um texto mais duro pelo Conselho de Segurança da ONU na quinta-feira, a Rússia voltou a interferir na polêmica nesta sexta-feira, afirmando que uma investigação independente sobre a prisão dos 15 militares deveria ser adotada.O pedido foi feito pelo Ministério de Relações Exteriores russo após conversações entre o vice-ministro Alexander Yakovenko e o embaixador britânico Anthony Brenton. O Ministério russo argumenta que, como os britânicos estavam em patrulha sob mandado do Conselho de Segurança, a ONU deveria investigar de maneira independente se ouve - ou não - violação de águas territoriais iranianas. Irã não quer envolvimento do CSA embaixada iraniana em Londres criticou a atuação do Conselho de Segurança da ONU pelo envolvimento nas negociações. Fazendo coro às críticas, o clérigo Ahmad Khatami, membro do Conselho de Especialistas do Irã, criticou a interferência de terceiros como a ONU e a União Européia (UE) na crise. No sermão oficial das sextas-feiras em Teerã - em que habitualmente expressa a posição do regime e que contou com a presença do presidente Mahmoud Ahmadinejad -, Khatami afirmou que se trata de uma questão que "deve ser resolvida entre o Irã e o Reino Unido", segundo a agência semi-oficial Mehr."O caso deve ser tratado entre o Irã e o Reino Unido, já que seus marinheiros entraram em nossas águas e foram detidos por nossos guardas", disse. "Terceiros como o Conselho de Segurança das Nações Unidas e a União Européia não têm o direito de intervir no assunto", afirmou Khatami, que disse que a intromissão destes grupos "complica as coisas".AmeaçasO clérigo também fez ameaças, e advertiu que, "se a Inglaterra continuar com suas maldições contra a República Islâmica do Irã, pagará muito caro"."A Inglaterra é uma potência derrotada, isolada, um intermediário da política americana que perdeu seu império do século XIX. O tempo do império britânico já acabou", disse Khatami. Segundo ele, as tropas do Reino Unido invadiram por várias vezes o território marítimo iraniano e "existem provas disso"."Já não estamos no tempo dos Qadjars (dinastia que governou o Irã entre os séculos XVIII e XIX), cujo governo temia os navios ingleses equipados com canhões", disse o clérigo, destacando que o país "enfrenta hoje com autoridade" os Estados Unidos e o Reino Unido. Texto ampliado às 17h45

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