UE pede 'pressão máxima' para forçar renúncia de Mugabe

Alto representante de política externa do bloco se une aos discursos pela mudança de governo no Zimbábue

Agências internacionais,

08 de dezembro de 2008 | 08h28

O alto representante para Política Externa e Segurança Comum da União Européia (UE), Javier Solana, disse nesta segunda-feira, 8, que chegou "o momento" de fazer "pressão máxima" para forçar a renúncia do presidente do Zimbábue, Robert Mugabe. Antes um dos mais prósperos países africanos, o Zimbábue tem uma hiperinflação de quase 1 trilhão por cento ao ano e seu Estado é incapaz de fornecer serviços básicos. O país ainda enfrenta uma epidemia de cólera que já matou mais de 570 e infectou outras 12 mil, vista como mais uma prova da incapacidade do Estado em exercer suas funções.   Veja também: Para Quênia, tropas estrangeiras devem derrubar Mugabe Zimbábue, o suicídio de um país em cólera Reino Unido pede que mundo dê um 'basta' em Mugabe Rice diz que já passou da hora de Mugabe sair do poder Desmond Tutu pede que África use a força para tirar Mugabe Grã-Bretanha planeja invadir Zimbábue, diz porta-voz de Mugabe   Nos últimos dias, vários países, como o Reino Unido, os Estados Unidos e o Quênia, chamaram aos países africanos a agir para forçar uma mudança de governo no Zimbábue, diante da catástrofe humanitária no país. O ministro de Exteriores da França - país que este semestre preside a UE -, Bernard Kouchner, disse que existe "uma urgência sanitária" e que "é preciso uma intervenção internacional, não militar, mas uma intervenção".   Na mesma linha, o ministro de Exteriores luxemburguês, Jean Asselborn, considerou que "chegou o momento de dizer que a situação é insuportável". O ministro de Exteriores finlandês, Alexander Stubb, não descartou que a UE acrescente novas sanções contra o regime de Mugabe, e disse que estas "sempre são uma possibilidade".   O primeiro-ministro do Quênia, Raila Odinga, defendeu no domingo uma intervenção estrangeira no Zimbábue e o julgamento do presidente zimbabuano, Robert Mugabe, por crimes contra a humanidade. Com a elevação do tom das declarações, Odinga junta-se a outros líderes internacionais - como a secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, o arcebispo sul-africano e Nobel da Paz Desmond Tutu e o premiê britânico, Gordon Brown - que na última semana intensificaram as pressões para que Mugabe, no poder há 28 anos, deixe definitivamente a presidência.   "Se a União Africana não tiver tropas disponíveis, ela deve autorizar imediatamente a ONU a enviar forças ao Zimbábue para controlar o território e garantir assistência às pessoas que estão morrendo de cólera", afirmou Odinga, em referência à epidemia. O premiê, porém, evitou responder se enviaria tropas de seu país.   Odinga não poupou críticas aos governos africanos, que, segundo ele, deram tratamento especial a Mugabe por causa de seu histórico de apoio às lutas anticoloniais do continente. "Ter participado no combate pela libertação não dá direito a apropriar-se de um país inteiro", afirmou o queniano.   Em resposta à escalada das pressões, o governo zimbabuano declarou no domingo, por meio de um jornal estatal, que o Reino Unido - ex-metrópole do país - tem utilizado a epidemia de cólera como pretexto para catalisar apoio no Ocidente e legitimar uma futura invasão do Zimbábue. "Eu não sei do que esse primeiro-ministro maluco (Gordon Brown) está falando. Ele está clamando por uma invasão, mas não conseguirá", declarou o porta-voz de Mugabe, George Charamba.

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