AFP PHOTO / Odd ANDERSEN
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UE precisa ‘mais do que nunca’ de um governo alemão forte, diz presidente da Comissão Europeia

Jean-Claude Juncker destacou a necessidade de uma liderança ‘capaz de moldar ativamente o futuro’; Merkel sondará possibilidades de formar coalizão com o Partido Liberal-Democrático, que já alertou que não aceitará um acordo sem garantias de mudança na direção do governo alemão

O Estado de S.Paulo

25 Setembro 2017 | 11h49

BRUXELAS - O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, disse à chanceler alemã, Angela Merkel, que o bloco europeu precisa "agora mais do que nunca" de um governo alemão forte ante "os importantes desafios globais", afirmou o porta-voz do Executivo comunitário.

Juncker "reiterou sua convicção de que, visto os importantes desafios globais, a Europa precisa agora mais do que nunca de um governo forte, capaz de moldar ativamente o futuro de nosso continente", disse Margaritis Schinas, que confirmou que o presidente da Comissão conversou com Merkel e enviou uma carta a ela.

"Em sua carta, o presidente Juncker expressa a convicção de que as negociações sobre o (futuro) governo de coalizão contribuirão para este efeito", completou o porta-voz, um dia depois da vitória apertada da influente chanceler alemã nas eleições legislativas.

Após sua quarta vitória consecutiva, Merkel precisa formar uma nova coalizão, depois que seus atuais sócios de governo, os social-democratas, anunciaram que passaram à oposição. O Partido Liberal-Democrático (FDP) e Partido Verde aparecem como eventuais aliados.

As negociações podem durar meses. Até hoje, desde as primeiras eleições do pós-guerra, em 1949, o partido vencedor sempre conseguiu formar maioria, e Merkel já descartou a possibilidade de um governo minoritário. Se não conseguir formar uma nova coalizão, o governo pode convocar novas eleições.

Nesta segunda-feira, 25, Merkel disse que sua aliança conservadora irá sondar possibilidades de coalizão com o FDP e os Verdes, assim como com o até agora relutante Partido Social-Democrata (SPD).

“Eu acho que todos os partidos têm uma responsabilidade de garantir que vai haver um governo estável”, disse ela a repórteres, acrescentando que políticas orçamentárias sustentáveis e a segurança interna serão prioridades para os conservadores nas iminentes negociações de coalizão.

O FDP abriu caminho para as negociações, mas disse que não aceitará um acordo sem garantias de mudança na direção do governo alemão. “Não cabe a nós formar uma ‘coalizão Jamaica’ a qualquer preço”, disse o vice-líder do partido, Wolfgang Kubicki, a repórteres.

O termo “coalizão Jamaica” faz referência às cores dos três partidos: verde, amarelo e preto. O líder do FDP, Christian Lindner, explicou que mudanças são necessárias na política de energia da Alemanha e em seu posicionamento sobre a política fiscal na zona do euro.

Reações

O presidente da França, Emmanuel Macron, telefonou na noite de domingo para Merkel para parabenizá-la pela sua vitória nas eleições legislativas, e apontou que ambos vão continuar cooperando "com determinação" para a Europa e para os seus respectivos países.

O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, parabenizou a líder alemã nas redes sociais. "Felicidades a Angela Merkel, uma verdadeira amiga de Israel, por sua reeleição como chanceler da Alemanha", escreveu ele em sua página do Facebook e em sua conta no Twitter. / AFP, REUTERS e EFE

 

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