UE premia ativista que cumpre pena em Pequim

O Parlamento da União Européia (UE) anunciou ontem a entrega de seu principal prêmio sobre direitos humanos ao dissidente chinês Hu Jia, que cumpre pena de 3 anos e meio sob a acusação de "subversão do poder do Estado". A possibilidade de premiar o ativista havia sido duramente atacada pelas autoridades de Pequim, que a partir de hoje serão anfitriãs dos líderes europeus na cúpula entre o bloco e países asiáticos.Preso desde dezembro, Hu Jia é o mais preeminente ativista chinês e seu nome foi cotado para o Prêmio Nobel da Paz, entregue ao ex-presidente finlandês Martti Ahtisaari. "Estamos enviando um claro sinal de apoio aos que defendem os direitos humanos na China", disse o alemão Hans-Gert Poettering, presidente do Parlamento.Concedido desde 1988, o Prêmio Sakharov tem o valor de US$ 64 mil. A entrega será em 17 de dezembro, mas é pouco provável que Hu Jia esteja presente, pois sua pena só termina em 2011."Manifestamos profunda insatisfação com a decisão do Parlamento Europeu de entregar tal prêmio a um criminoso preso na China, desconsiderando nossas repetidas representações", afirmou o porta-voz da chancelaria da China, Liu Jianchao.No começo da semana, o embaixador chinês na UE, Song Zhe, já havia enviado uma carta a Poettering, na qual dizia que a premiação de Hu Jia "iria inevitavelmente ferir os chineses e mais uma vez trazer sérios danos às relações entre a China e a União Européia". Segundo Song, "não reconhecer o progresso da China em relação aos direitos humanos e insistir no confronto só aprofundará a incompreensão entre os dois lados e não conduzirá à promoção da causa dos direitos humanos no mundo".A reunião de cúpula que começa hoje reunirá 43 líderes asiáticos e europeus que representam metade da economia mundial. Na pauta, a crise financeira global, mudanças climáticas e segurança internacional. Hu Jia defende, há dez anos, portadores do vírus HIV e de causas ambientais na China. Típico "dissidente da internet", ele costumava divulgar textos online com críticas ao governo. A Human Rights Watch voltou a pedir ontem sua libertação e afirmou que a premiação evidencia a urgente necessidade de reformas na China. Os advogados do ativista sustentam que seu único crime foi manifestar suas opiniões e dizem que ele nunca se engajou em atividades que pudessem ser caracterizadas como subversivas. Ele foi preso após dar um depoimento ao Parlamento Europeu sobre a situação dos direitos humanos na China. "Falar sobre direitos humanos é um direito fundamental do indivíduo. Não é algo sobre o qual se fala só quando as autoridades permitem", disse a mulher de Hu Jia, Zeng Jinyan, que vive em Pequim, sob constante vigilância da polícia.

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