UE pressiona América Latina por direitos humanos

A Europa exige a libertação de todos os prisioneiros de consciência em Cuba e, em uma mensagem clara a governos latino-americanos, alerta que exigirá cláusulas de direitos humanos nos novos acordos comerciais que o bloco assinará com a região nos próximos meses. Ontem, o presidente do governo espanhol, José Luis Rodrigues Zapatero, exigiu que Cuba tome medidas para liberar todos os prisioneiros políticos, mas insistiu que prefere o diálogo à estratégia norte-americana de impor embargos.

AE, Agencia Estado

26 de fevereiro de 2010 | 07h45

Diante da morte do dissidente Orlando Zapata, o debate na Europa sobre como lidar com Cuba voltou ao centro da agenda. A Espanha preside a União Europeia (UE) até julho e, como um dos seus principais pontos em sua agenda, defende uma reavaliação do diálogo com os cubanos. O que Madri quer é mudar a forma pela qual o bloco dialoga com Cuba. Em 1996, ficou estabelecido que o avanço na relação bilateral dependeria de avanços nos direitos humanos em Cuba. Agora, a Espanha quer uma reavaliação "desapaixonada, objetiva e com visão de futuro" dessa estratégia.

Para o governo espanhol, a fórmula de diálogo estabelecida nos anos 90 "não funcionou", já que Havana não apenas não se abriu, como endureceu a repressão. "O que queremos são resultados", disse o ministro das Relações Exteriores da Espanha, Miguel Ángel Moratinos, que também insistiu na via do diálogo. "Embargos não dão resultados", disse.

Na Europa, porém, Reino Unido e Alemanha estão entre os governos que não aceitam uma aproximação à Cuba enquanto não houver um sinal claro do regime de que haverá maiores liberdades. Ontem, Zapatero tentou também mostrar que essa aproximação não seria incondicional e cobrou "a devolução da liberdade aos prisioneiros de consciência e o respeito aos direitos humanos". Para Zapatero, essa deve ser uma "exigência fundamental da comunidade internacional".

Catherine Ashton, a chefe da diplomacia europeia, usou exatamente os mesmos termos e exigiu "a libertação incondicional de todos os presos políticos, incluindo os detidos e condenados em 2003". Zapata fazia parte desse grupo. "A UE reitera seu apelo às autoridades cubanas para que cumpram seus compromissos com os direitos humanos", disse ele, lembrando que já fez esse apelo em "muitas ocasiões". As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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