REUTERS/Yara Nardi/File Photo
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UE planeja vacinar inicialmente 40% de sua população

Meta do bloco europeu pode prejudicar estratégia da OMS de imunizar todos os países do mundo de forma mais equitativa

Redação, O Estado de S.Paulo

26 de agosto de 2020 | 12h16
Atualizado 26 de agosto de 2020 | 21h22

BRUXELAS - A União Europeia, o Reino Unido e países parceiros do bloco concordaram com um plano de vacinação contra a covid-19 que prevê a imunização de ao menos 40% de sua população. A medida pode atrasar o projeto de vacina da Organização Mundial de Saúde (OMS).

A UE estima que o porcentual de sua população que necessita de vacinação seria de pelo menos 40%, reduzindo a disponibilidade de possíveis doses para países menos desenvolvidos. Até o momento, não há nenhuma vacina aprovada, exceto a autorizada pela Rússia, sem testes em larga escala.

A meta da UE para a vacinação precoce é duas vezes mais alta do que a estabelecida pela OMS, que busca comprar vacinas inicialmente para 20% das pessoas mais vulneráveis de todo o mundo por meio de um esquema de aquisição global. 

A busca por uma vacina se tornou uma versão repaginada das corridas espacial e nuclear. No entanto, especialistas em saúde pública alertam que essa pressa pode resultar em uma pandemia mais duradoura, ao impedir a alocação mais eficiente das doses para prevenir a covid-19. 

Alguns países estão usando seu dinheiro para tentar comprar o primeiro lugar na fila de suprimentos, caso um imunizante se mostre eficaz. EUA, Reino Unido, UE e Japão saíram na frente na corrida para estocar vacinas contra o coronavírus. Juntos, eles já reservaram mais de 1,3 bilhão de doses – todas ainda em fase de testes.

O fornecimento das vacinas que podem ter sucesso deve ser limitado por um longo período, pois as capacidades de produção são limitadas. 

“Ao somar todos os grupos de risco atualmente conhecidos, deve ser, provavelmente, 40% da população, dependendo da situação e da demografia dos países”, informou um documento datado de julho, subscrito por especialistas em saúde de Estados-membros da UE, do Reino Unido, da Suíça, da Noruega e dos países dos Bálcãs. 

O documento classifica como “grupo prioritário” mais de 200 milhões de pessoas na UE, incluindo portadores de doenças crônicas, idosos e trabalhadores da saúde. Funcionários de serviços públicos, como educação e transporte, também estão incluídos. 

O objetivo é alcançar a imunidade de rebanho para a população do bloco, dizia o documento, o que poderia ocorrer com novas campanhas de vacinação após o cumprimento da meta de 40%. A declaração escrita não fornece, porém, o prazo estabelecido para se atingir a meta, mas descreve a logística a ser implementada, desde o transporte refrigerado até o fornecimento de agulhas e a instalação de locais de vacinação, com possível envolvimento das Forças Armadas. 

Comissão

A Comissão Europeia, braço executivo da UE, vem dizendo que apoia uma abordagem global e inclusiva das vacinas como forma de oferecer acesso equitativo a todos. No entanto, o bloco age para ter prioridade, o que mina a abordagem global. 

A comissão, por exemplo, solicitou aos 27 países da UE que não comprassem vacinas pelo esquema liderado pela OMS e, em vez disso, utilizassem o plano alternativo europeu, que é considerado mais rápido e barato. 

A comissão disse que poderia oferecer apoio financeiro para o esquema da OMS e doar vacinas, mas com as altas metas de imunização, as chances de que o bloco possa ter doses excedentes para distribuir ao restante do mundo estão diminuindo.

Questionado se a UE poderia doar vacinas somente depois que a meta de inoculação de 20%, definida pela OMS, for atingida, um porta-voz da Comissão Europeia se recusou a comentar. 

No entanto, o documento da UE não é vinculante para os Estados-membros e parceiros do bloco, que podem ter como objetivo uma cobertura ainda mais elevada para sua população. / REUTERS

 

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