UE proíbe a venda de artigos de luxo para a Síria

Nada de bolsas Louis Vuitton, perfume Channel ou relógios Cartier para a Síria. Ontem, a União Europeia (UE) adotou sanções contra a venda de produtos de luxo para os sírios e incluiu na lista as mulheres do clã Assad, entre elas a primeira-dama Asma. Se a medida não terá impacto na vida de grande parte da população, o embargo é uma medida simbólica contra a ostentação dos membros do regime.

JAMIL CHADE, CORRESPONDENTE / GENEBRA, O Estado de S.Paulo

24 de abril de 2012 | 03h06

A decisão foi tomada em razão da manutenção da repressão pelo governo sírio, mesmo diante do compromisso que Bashar Assad assumiu com o mediador da ONU e da Liga Árabe, Kofi Annan, e após o envio de observadores para monitorar o suposto cessar-fogo, que até agora não foi totalmente aplicado.

É a primeira vez que produtos de luxo são incluídos em sanções contra um regime e a decisão foi tomada pelos chanceleres da UE para expor o estilo de vida da família Assad. Uma recente divulgação de e-mails mostrou que, mesmo durante a repressão, as compras de sapatos pela internet e de outros bens de luxo continuaram.

Na nova rodada de sanções, 12 nomes foram adicionados à lista da UE, especialmente parentes de Bashar Assad - agora, já são 126 pessoas e 41 empresas sob embargo. Moscou condenou as sanções, insistindo que não é isolando Assad que a comunidade internacional conterá a violência. "As sanções são inaceitáveis do ponto de vista do direito internacional", disse o porta-voz da chancelaria russa, Alexander Lukashevich.

Diante das sanções e para financiar a repressão, Damasco acelerou a venda de ouro de suas reservas. Há um ano, o governo sírio não divulga informações sobre o estado de suas contas e da economia. Segundo a França, as reservas internacionais do país estariam hoje em menos de US$ 9 bilhões, a metade do que eram há um ano.

Além disso, o bloqueio internacional ao petróleo sírio fez a produção local cair 30%, custando aos cofres públicos US$ 400 milhões por mês - 90% das exportações de petróleo da Síria iam para o mercado europeu. Para compensar as perdas e garantir liquidez, Damasco estaria oferecendo barras de ouro com 15% de desconto. Para facilitar o transporte, os lotes não passariam de 30 quilos.

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