UE quer assegurar entrega imparcial de ajuda humanitária

A agência de ajudas humanitárias da Comissão Européia, Echo, informou hoje que o principal objetivo da União Européia (UE) no momento é assegurar o acesso normal de uma ajuda "neutra e imparcial", que deve ser feita pelas organizações humanitárias e não por grupos militares, como está acontecendo. Segundo o representante da Echo, a necessidade urgente da população iraquiana é água potável, principalmente no sul do país, ao redor de Basra.De acordo com o representante da Echo, Javier Menendez, existe uma preocupação de preservar "a integridade e a independência" da entrega das ajudas humanitárias, apesar de reconhecer que as organizações humanitárias ainda não conseguiram tomar o controle das entregas por motivo de segurança. Menendez repetiu por diversas vezes que as equipes assistenciais não estão sendo impedidas de entrar no Iraque, mas não entram porque existe "risco de segurança".Dentro de território iraquiano, no momento, estão centenas de assistentes que já prestavam serviço para as Nações Unidas e um grupo pequeno do Comitê internacional da Cruz Vermelha, em Basra. Quanto ao restante das organizações, como Unicef, Deux Care, Primeira Urgência, e outras menores, estão todos nas áreas de fronteira, aguardando o sinal verde para a entrada, ainda sem prazo para tal.Provocado se, então, a opinião pública pode concluir que, depois de 10 dias de guerra, as forças de coalizão não conseguiram tomar controle de nenhuma parte do território iraquiano, Michael Curtis, porta-voz do comissário europeu de ajudas humanitárias, limitou-se a dizer que não comenta sobre ações militares, mas "a entrada ainda está sendo considerada como de alto risco"."Caso a guerra se prolongue", está sendo estudada a possibilidade de formar possíveis corredores para a entrega da ajuda, acrescentou Javier Menendez, reiterando o medo de Bruxelas de colocar em risco a "neutralidade" do trabalho das organizações internacionias, que pode ser colocada em xeque pela própria população iraquiana ao ser atendida por grupos militares.A preocupação européia é reforçada pela experiência no Afeganistão, onde militares britânicos e norte-americanos usaram as ajudas humanitárias para encobrir operações com objetivos militares, como entregar alimentos e ao mesmo tempo colher informações da população. Esse procedimento por parte de militares gerou vários protestos das organizações internacionais, confirmou hoje Menendez, dizendo que não se tem notícias de que esteja acontecendo o mesmo no Iraque.Necessidades urgentesA Echo diz que a necessidade mais urgente da população iraquiana é água potável e que, em um segundo momento, "caso aumente muito o número de vítimas", será material de primeiros socorros para os hospitais.Os alimentos "ainda" não são urgentes, segundo Menendez, porque o governo iraquiano, por meio do programa "Petróleo por Comida", das Nações Unidas, suspenso somente no dia 17 de março, teria antecipado a distribuição de alimentos para uma provisão de 4 a 6 semanas.Até agora, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha recebeu de Bruxelas cerca de US$ 3,74 milhões, o que dará para alimentar 615 mil iraquianos, por três meses. Dentro deste valor, também estão previstas outras ajudas, como por exemplo, a transporte aéreo, hospitais, etc.A UE tem liberado um valor da ordem de US$ 22,47 milhões e deve destinar um valor suplementar em torno de US$ 84,53 milhões, em duas semanas, segundo as previsões da Echo, ou seja, alguns dias depois que o Parlamento Europeu der o seu aval, previsto para a próxima semana.A Echo, uma agência para administrar os fundos europeus destinados à ajuda humanitária, está coordenando a entrega das verbas a partir de seu escritório em Amã (Jordânia), que não serão somente orientadas ao Iraque, segundo Menendez, mas a outras regiões de fronteira.Veja o especial:

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