UE quer reverter expropriações na Cisjordânia

Segundo o diplomata Lars Faaborg-Andersen, o grupo descarta sanções econômicas a Israel

Estadão Conteúdo

10 de setembro de 2014 | 12h52

O principal diplomata da União Europeia em Israel, Lars Faaborg-Andersen, disse nesta quarta-feira que tem encorajado oficiais israelenses a reverter a expropriação de 1.000 acres de terras na Cisjordânia realizada no último mês. Ele destacou, contudo, que a União Europeia não está considerando sanções anti-Israel por causa da medida.

A expropriação israelense foi anunciada em 31 de agosto, dias após o fim da guerra de 50 dias na Faixa de Gaza encerrada com um cessar-fogo, e provocou fortes críticas dos EUA, dos palestinos e de alguns países europeus. A ação foi vista como forma de sabotagem à possibilidade de uma solução pacífica para o conflito israelense-palestino, não só pelo momento do anúncio, mas também porque reduz o território disponível para um futuro Estado palestino.

Lars Faaborg-Andersen afirmou que pediu a Israel para reverter a expropriação durante reunião na última semana no Ministério de Relações Exteriores israelense. O diplomata disse ao vice-ministro de Relações Exteriores de Israel, Tzachi Hanegbi, que a expropriação foi um "progresso alarmante" e "um dos piores sinais enviados na atual situação". Ele acrescentou, contudo, que ainda que Israel se recuse a ceder nesta questão, o país não deve temer a imposição de sanções da União Europeia. "Essa questão não está na agenda agora".

A expropriação de terras foi feita em uma área perto de Jerusalém que Israel espera manter em qualquer futuro acordo de paz. O Exército israelense afirmou que a expropriação irá adiante, de acordo com ordem do governo anunciada no final de uma operação militar em junho, que envolveu a busca por três adolescentes israelenses sequestrados e mortos por militantes do Hamas.

O episódio iniciou uma cadeia de eventos que levou a guerra na Faixa de Gaza, que matou mais de dois mil palestinos, dos quais, três quartos eram civis, de acordo com estimativas palestinas e da Organização das Nações Unidas (ONU). No lado israelense, 66 soldados e seis civis morreram.

Nesta quarta-feira, tropas israelenses mataram um palestino na Cisjordânia durante uma ação em um campo de refugiados, recebida com resistência violenta, informaram autoridades palestinas. Ahmad Betawi, diretor do Hospital de Ramallah, disse que Essa Qatri, de 22 anos, foi baleado no peito e morreu pouco antes de chegar ao hospital.

Forças israelenses entraram no campo de refugiados de Al-Amari, perto de Ramallah, no começo da manhã desta quarta-feira para prender um membro do Hamas, informou o Exército. Os militares disseram que dezenas de manifestantes palestinos queimaram pneus e atiraram pedras contra as tropas. Testemunhas no campo de refugiados deram um relato similar do episódio.

"Um homem tentou arremessar um artefato explosivo contra os soldados, que atiraram em resposta", disse um militar israelense. Ele informou que o Exército prendeu o homem, que foi encontrado com armas. Fonte: Associated Press.

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