Joe Klamar/AFP
Joe Klamar/AFP

UE reabrirá fronteiras externas em julho

Viagens para fora do bloco europeu devem ser retomadas de forma coordenada

Redação, O Estado de S.Paulo

05 de junho de 2020 | 19h55

BRUXELAS - A União Europeia planeja reabrir todas as suas fronteiras internas até o final de junho e suspender as restrições de viagens para fora do bloco em julho, informou nesta sexta-feira, 5, a comissária para Assuntos Internos da UE, Ylva Johansson. A declaração foi feita após reunião com ministros do interior dos Estados-membros da UE, em que a maioria dos governos – como França, Holanda e Alemanha – informou que pretende suspender o controle das fronteiras internas até o dia 15. 

Em entrevista a jornais europeus, Johansson afirmou que no início da pandemia os países do bloco agiram desordenadamente e com “algum pânico”, o que não pode se repetir. “É importante que recordemos o que se passou no princípio da crise para que não tenhamos o mesmo caos ao reabrir.” A comissária disse que manter as restrições na fronteira não é mais necessário, já que a situação está melhorando no continente. 

“As fronteiras internas serão levantadas até o final deste mês e vamos considerar gradualmente a flexibilização de restrições de viagens não essenciais no início de julho”, afirmou Johansson. Ela disse que vai trabalhar para obter uma boa coordenação com os países sobre o tema nos próximos dias e Bruxelas deve emitir um comunicado na próxima semana. 

Todas as viagens de visitantes de fora da Europa, exceto as essenciais, estão restritas até o dia 15, mas vários ministros querem prolongar o prazo até o início de julho. Cidadãos de nações como Estados Unidos, Rússia, Índia e Brasil, alguns dos mais afetados no mundo, só poderão voltar à Europa dependendo de como estiver o controle e a disseminação do vírus localmente.

 Alguns países, no entanto, como Irlanda e Reino Unido, aceitam americanos, desde que seja feita uma quarentena de 14 dias. Na Islândia, os visitantes deverão fazer um teste de covid-19. Mas há incertezas até mesmo dentro do bloco sobre como funcionarão os próximos passos. Alguns países elaboram “bolhas de viagens” entre si, como no caso das repúblicas bálticas – Estônia, Letônia e Lituânia –, que reabriram as fronteiras para cidadãos de seus países. 

Hungria e Eslovênia criaram a própria bolha no fim do mês passado e a Croácia decidiu permitir a entrada de visitantes de dez países europeus – exceto França, Itália e Espanha. Já a Grécia, elaborou uma lista de 29 países – alguns de fora da Europa como China e Nova Zelândia – cujos cidadãos poderiam entrar sem testes ou quarentena, deixando de fora a Itália e o Reino Unido. E a Áustria reduziu as limitações de viagem para vários vizinhos, mas não para a Itália. Sem citar nenhum país, o Ministério das Relações Exteriores da Itália disse que decisões assim “violam o espírito europeu que sempre nos distinguiu”.

Espanha e Itália, dois dos países mais afetados na Europa, pediram formalmente à Comissão Europeia que garanta uma atuação coordenada para a abertura de fronteiras internas e externas, sem nenhuma discriminação e com base em critérios “epidemiológicos comuns, claros e transparentes”. Também defenderam que a abertura para países de fora do bloco deve ser gradual e coordenada, seguindo protocolos de segurança sanitária decididos em conjunto na União Europeia. 

Após o surto de coronavírus, os 26 países do Espaço Schengen, onde as pessoas e as mercadorias circulam sem controles nas fronteiras, adotaram restrições de viagens sem coordenação entre os países, causando dúvidas até mesmo sobre o futuro da União Europeia pós-coronavírus. 

A decisão de reabrir anima os países europeus à medida que o verão se aproxima, e será uma forma de dar fôlego a uma indústria que tem peso importante na economia de nações como Espanha, Grécia, França e Itália. 

“Precisamos ter certeza de que uma temporada turística de verão não terá o preço alto de uma segunda onda de infecções”, alertou Heiko Maas, ministro das Relações Exteriores da Alemanha, em maio. “Portanto, não haverá férias de verão ‘normais’ neste ano. Seja no Báltico ou no Mediterrâneo – as regras de distanciamento social e higiene serão aplicadas em todos os lugares”, afirmou. / REUTERS, EFE, NYT E W. POST

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