UE recomenda que domingo não seja mais dia de descanso

Direita, esquerda e católicos da Itália reagiram imediatamente, hoje, a uma recomendação da União Européia (UE) que é um "conselho" aos membros: o domingo não deverá mais ser considerado dia de descanso. A iniciativa se deve à nova realidade multirreligiosa européia, que hoje acolhe comunidades muçulmanas e cristãs, mas também tem base num objetivo econômico - o de eliminar o pagamento de horas extras, como prevê a lei trabalhista, a quem trabalha nesse dia.Para os italianos, que cultuam a tradição de celebrar o domingo em família, a eliminação da festa dominical constituiria um golpe. Além disso, é o dia do futebol, que eles praticam com certa mística, similar à das festas religiosas.A UE não impôs a supressão do domingo como dia festivo, mas a sugestão provocou reações favoráveis e desfavoráveis à medida. Empresários e comerciantes a apóiam, pois reduziria seus gastos com horas extras. Já os trabalhadores são contrários, pela redução salarial que significa.Nos setores da Igreja, as vozes são contrárias, como a do cardeal Pio Laghi, que teme que "a Europa perca suas raízes cristãs" por causa do que chama de mero cálculo econômico. "Domingo é o dia do Senhor, das famílias e do repouso", afirmou Laghi.A determinação conseguiu pôr direita e esquerda de acordo. Alessandra Mussolini, neta do ?duce? e deputada pela direitista Aliança Nacional, manifestou-se contra a supressão do domingo, por ser "o único dia em que se pode estar com a família". Já o vice-líder da bancada parlamentar da Democracia de Esquerda, Renzo Inoccenti, se declarou contrário "por motivos de cultura e tradição, além dos direitos naturais". A Itália decidirá se aceita ou não o "conselho" da UE em janeiro.

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