UE rejeita proposta franco-britânica para armar rebeldes sírios

Governos europeus rejeitaram nesta sexta-feira uma proposta franco-britânica para suspender o embargo armamentista à Síria para poderem armar os rebeldes desse país.

PETER GRIFFITHS E JUSTYNA PAWLAK, Reuters

15 de março de 2013 | 18h17

A ampla maioria dos 27 países da União Europeia considerou que a suspensão do embargo poderia desencadear uma corrida armamentista que agravaria a instabilidade na região. A questão voltará a ser discutida na semana que vem.

O presidente da França, François Hollande, e o primeiro-ministro britânico, David Cameron, argumentaram sem sucesso que a Europa não poderia permitir que o povo sírio seja massacrado.

Até agora, os governos ocidentais evitam interferir diretamente em um conflito que começou há dois anos e já matou 70 mil pessoas, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU).

A chanceler (primeira-ministra) alemã, Angela Merkel, principal opositora da suspensão do embargo, disse que havia o risco de que Rússia e Irã, aliadas do governo sírio, intensificassem o fornecimento de armas caso a UE suspendesse suas restrições.

Ela chamou a atenção também para "a frágil situação no Líbano e o que significa armar o Hezbollah (grupo xiita aliado do presidente sírio, Bashar al-Assad)".

O presidente do Conselho Europeu, Herman van Rompuy, disse que os líderes pediram aos seus ministros de Relações Exteriores que discutam a questão do embargo "como questão prioritária" na sua reunião de 22 e 23 de março em Dublin.

Um dos fatores que dificultam um auxílio militar ocidental aos rebeldes sírios é o caráter desorganizado da rebelião - inclusive com a presença de militantes islâmicos ligados à Al Qaeda -, mas Hollande disse ter garantias da oposição síria de que as armas eventualmente enviadas ficariam em boas mãos.

Ele disse esperar que "até maio, no máximo ... uma solução comum seja encontrada pela União Europeia".

As autoridades francesas dizem que, por enquanto, Paris prefere usar a suspensão do embargo como ferramenta de barganha para pressionar Assad e não propriamente para enviar armas. A Grã-Bretanha não disse diretamente se iria armar os rebeldes.

Dias atrás, após árduas negociações, a UE relaxou o embargo para permitir ajuda não-letal (como veículos blindados e assistência técnica) à oposição síria.

(Reportagem adicional de Luke Baker, Robin Emmott, Julien Ponthus, John O'Donnell, Ilona Wissenbach e Andreas Rinke, em Bruxelas; e de John Irish, em Paris)

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