UE retira grupo oposicionista do Irã de lista de terroristas

A União Europeia (UE) decidiu hoje retirar a Organização dos Mujahedin do Povo do Irã (PMOI), um grupo de oposição iraniano, de sua lista de grupos terroristas e levantar as restrições a seus fundos. A decisão, tomada pelos ministros de Relações Exteriores dos 27 países do bloco, significa que amanhã os bens do grupo estarão liberados. É a primeira vez que uma organização é retirada dessa lista de UE.Shahin Gobadi, porta-voz do grupo, disse que US$ 9 milhões (? 7 milhões) estão congelados apenas na França e há outras "dezenas de milhões de dólares" em ativos em outros países do bloco.O grupo foi colocado na lista negra como uma organização terrorista pela UE em 2002, mas travou uma longa batalha legal nas cortes europeias de justiça para reverter a medida. Várias decisões em tribunais de UE foram favoráveis ao grupo, concluindo que a UE não conseguiu explicar de forma correta a razão pela qual congelou os bens do grupo, sediado em Paris. "O que estamos fazendo hoje é obedecer à decisão do tribunal. Não há nada que possamos fazer sobre a decisão", disse Javier Solana, chefe da política externa da União Europeia.O Mujahedin do Povo, também conhecido como Mujahedin-e-Khalq, é o braço militar do Conselho Nacional da Resistência do Irã, sediado em Paris. O conselho diz que dedica-se à formação de um governo democrático e secular no Irã. O grupo foi fundado no país nos anos 1960 e ajudou seguidores do aiatolá Ruhollah Khomeini a derrubar, em 1979, o governo do xá Mohammed Reza Pahlevi, que era apoiado pelos Estados Unidos. Mas o Mujahedin-e-Khalq desentendeu-se com Khomeini e milhares de seus seguidores foram mortos, aprisionados ou forçados ao exílio. Em resposta, o grupo lançou uma campanha de assassinatos e ataques a bomba contra o governo.O PMOI vem tentando deixar sua fama de terrorista, apesar da série de sangrentos ataques contra o Ocidente nos anos 1970 e cerca de 30 anos de lutas violentas contra as instituições do Irã islâmico. Mas o grupo afirmou que renunciou à violência em 2001 e que não possui armas desde 2003.Maryam Rajavi, líder do Conselho Nacional de Resistência, o braço político do PMOI, disse que a decisão de hoje foi "uma esmagadora derrota à política europeia de conciliação" com o Irã. "A presença da resistência iraniana na lista negra contribuiu para o prolongamento do regime de fascismo religioso no Irã", disse ela em comunicado. "O regime iraniano não se privou de usar todas as pressões políticas e diplomáticas para manter o PMOI na lista". Rajavi disse que seu grupo vai agora concentrar suas atenções na retirada do PMOI da lista de grupos terroristas dos Estados Unidos.Mohammad Safaei, porta-voz da embaixada do Irã em Bruxelas, disse que não podia fazer comentários sobre decisão porque ela ainda não foi oficialmente informada a Teerã.A decisão do tribunal europeu deve complicar as já difíceis negociações da UE com Teerã sobre seu programa nuclear. A UE e os Estados Unidos acreditam que o Irã esteja construindo armas nucleares. O ministro de Relações Exteriores da Grã-Bretanha, David Miliband, fez um apelo ao Irã para que retome as conversações com os países da UE e com os Estados Unidos sobre seu programa nuclear.

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