´UE sem Constituição seria um fracasso´, disse Merkel

A chanceler alemã, Angela Merkel, confirmou nesta quarta-feira seu propósito de definir novas regras e considerou que não haver uma Constituição da União Européia em 2009 seria "um fracasso histórico". Merkel, atual presidente da União Européia (UE), advertiu ainda sobre a conveniência de evitar um projeto de Constituição "muito confuso". Em discurso perante o plenário do Parlamento Europeu, Merkel disse que o objetivo do semestre presidencial alemão é traçar um "Mapa de Caminho" para tirar a reforma constitucional "do beco sem saída" em que se encontra até as eleições européias de 2009."Qualquer outra coisa seria um fracasso histórico", considerou Merkel ressaltou que a União Européia atual precisa de novas "regras" não só para continuar se ampliando mas também para "empreender ações" que respondam a seus desafios.A chanceler também defende "esclarecer" a repartição de competências entre as instituições européias e seus Estados-membros e a implantação da figura do ministro de Assuntos Exteriores europeu, prevista no projeto original de Constituição rejeitado na França e na Holanda."Falando do Tratado Constitucional, se tivermos uma Constituição muito confusa não poderemos enfrentar nossos desafios em Política Externa e Segurança, Energia, mudança climática, política de vizinhança e ampliação", advertiu.Por outro lado, Merkel se comprometeu a "fazer o possível" para iniciar as negociações para um acordo de cooperação com a Rússia em matéria energética durante este semestre."Precisamos de relações confiáveis com este parceiro. Isto não significa deixar de lado os problemas com a imprensa ou com os países vizinhos que a Federação russa tem", afirmou.Além disso, defendeu "aprofundar a relação" com os Estados Unidos, particularmente na área comercial, e buscar um "substituto" para o Protocolo de Kyoto contra a mudança climática, que inclua a "colaboração" americana."A energia e a mudança climática são os dois desafios maisimportantes da humanidade no século XXI", disse. Também no âmbito exterior, Merkel destacou a conveniência demanter uma "perspectiva européia" para os Bálcãs, promover oprocesso de paz no Oriente Médio, buscar a resolução da disputanuclear com o Irã e manter uma "combinação de esforços militares ecivis" no Afeganistão. Apesar das referências a assuntos concretos, em seu primeirodiscurso no Parlamento Europeu Merkel empregou um tom filosófico,com citações literárias sobre a construção européia e no qualrefletiu em torno da "diversidade" e "universalidade" comosubstratos comuns da Europa. "A alma européia é a tolerância", disse Merkel, advertindo queeste respeito à diferença não deve ser confundido com a "falta deOpinião". "A Europa jamais deve ser compreensiva com a intolerância. Nuncadeve ser compreensiva com a violência, o extremismo de esquerda oude direita ou religioso", disse.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.