UE só ajudará reconstrução do Iraque sob condições

A União Européia (UE) advertiu os Estados Unidos dos danos que poderia causar à autoridade das Nações Unidas, da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e mesmo das relações transatlânticas, caso decidam atacar o Iraque sem o aval do Conselho de Segurança. Disse ainda que a Europa só ajudará na reconstrução do país "sob certas circuntâncias". O discurso foi feito pelo comissário europeu de relações exteriores, Chris Patten, hoje pela manhã, no Parlamento Europeu, em Estrasburgo."Será muito difícil em todos os casos de lançar novos programas no Iraque e nos países vizinhos. Mas, será ainda mais difícil para a UE de cooperar plenamente no processo de reconstrução a longo prazo se não houver cobertura da ONU", afirmou Patten.O comissário insistiu na legitimidade das Nações Unidas, sendo "essencial, em caso de guerra, que a ONU autorize o ataque". Se a guerra começar sem o aviso "explícito" do Conselho de Segurança, "se fará necessária, ainda, a criação, no âmbito da ONU, de um quadro de assistência humanitária" para a reconstrução do pós-guerra."Deverá ser mantida uma nítida separação entre a ação militar e ajuda humanitária para preservar o espaço humanitário. Este objetivo será mais fácil de atingir se as Nações Unidas forem reconhecidas desde o começo como coordenadora principal dessa ajuda", acrescentou Patten.Por outro lado, o comissário, reforçando que a UE sempre foi "o maior doador" de ajuda humanitária ao Iraque, indicou que esta ajuda deverá certamente ser aumentada em caso de guerra.Patten questionou também os argumentos do presidente George W. Bush de que a guerra para depor Saddam Hussein ajudaria combater o terrorismo e espalharia a democracia no Oriente Médio."É difícil construir democracia com uma arma, quando a história mostra que democracia é o produto de longo desenvolvimento interno de uma sociedade", disse Patten.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.