Frederik Von Erichsen/EFE
Frederik Von Erichsen/EFE

UE teme novas sanções contra governo russo

Bloco está preocupado com os efeitos das represálias a empresas e projetos europeus na área energética

Andrei Netto, Correspondente / Paris, O Estado de S.Paulo

24 Julho 2017 | 21h09

A intenção do Congresso americano de aprovar sanções contra a Rússia pelas suspeitas de ingerência de Moscou nas eleições americanas de 2016 não conta com a unidade dos países da União Europeia. Preocupado com os efeitos das represálias a empresas e projetos europeus na área energética, o bloco advertiu Washington que seus interesses geopolíticos e econômicos “devem ser levados em consideração” em meio às divergências. Bruxelas teme os efeitos colaterais do choque entre Washington e Moscou. 

O princípio de insatisfação foi revelado ainda no sábado, quando a Comissão Europeia demonstrou preocupação com a iniciativa dos congressistas americanos, que colocariam em risco projetos como o gasoduto Nord Stream 2, que leva gás entre a Rússia e a Alemanha, passando pelo Mar Báltico. O projeto, avaliado em € 9,5 bilhões, está sendo construído por empresas europeias e é considerado estratégico pelo governo da chanceler da Alemanha, Angela Merkel.

Esse projeto envolve grandes multinacionais europeias como a holandesa Shell, a francesa Engie, as alemãs Wintershall e Uniper e a austríaca OMV. Nesta segunda-feira, o sindicato patronal BusinessEurope advertiu sobre os efeitos de eventuais sanções.

“A União Europeia se baseia fortemente em fornecedores de energia externo. A Rússia é um dos principais fornecedores da UE”, explicou Markus Beyrer, diretor-geral da entidade. “O potencial e a extensão das sanções dos EUA contra a Rússia concentradas no setor de energia terão forte impacto no fornecimento de energia da UE. Em última análise, os negócios e os consumidores na UE pagarão o preço.” 

No sábado, a Comissão expressou sua « inquietude » sobre o debate em torno das sanções e de seus impactos diretos sobre a segurança energética da Europa. Bruxelas também exortou Washington a respeitar « a unidade do G7 » sobre o tema – o grupo é composto por quatro países do bloco: Alemanha, França, Reino Unido e Itália.

Um informe interno da Comissão Europeia revelado nesta segunda-feira pelo jornal Financial Times e pelo website Politico indicou ainda que empresas europeias que negociam "com toda legitimidade" com empresas russas de transporte férreo e marítimo, além dos setores financeiro e mineiro, poderiam ser atingidas. Por isso Bruxelas trabalha para obter de Washington garantias de que seus interesses serão preservados. 

Entre as alternativas de resposta estariam o uso do Blocking Stature, legislação de 1996 que permite à UE considerar não válidas sanções em seu território, ou ainda a adoção de represálias via Organização Mundial do Comércio (OMC). Essa segunda hipótese é menos provável, já que a decisão teria de se dar por unanimidade no interior do bloco.

A divisão entre Washington e Bruxelas quanto às sanções é uma novidade nas relações entre os dois lados do Atlântico. Europa e Estados Unidos aplicam juntos represálias econômicas contra Moscou em função da anexação da península da Crimeia à Rússia, em 2014, e à ação de separatistas pró-Moscou no leste da Ucrânia. 

 

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