UE teme que jovens pratiquem terrorismo ao voltar

Autoridades do bloco monitoram a saída e o retorno de suspeitos de se envolver com islamistas na Síria

PARIS, O Estado de S.Paulo

16 de fevereiro de 2014 | 02h07

O elevado número de europeus no conflito sírio lutando ao lado de islamistas é uma das maiores fontes de preocupação dos serviços secretos da França e de outros países da Europa. O temor das autoridades é o de que, caso retornem, eles pratiquem atos terroristas. O alerta está acionado em diferentes nações, pelo mesmo motivo.

As autoridades acreditam que os jovens que saem da Europa para lutar contra Bashar Assad sofrem um processo de radicalização que os deixaria a ponto de cometer atentados ao retornar.

Em dezembro, ministros do Interior dos 28 países da União Europeia se reuniram para endurecer a fiscalização nas fronteiras e prender jovens suspeitos de ter aderido ao jihadismo no Oriente Médio.

Até meados de 2013, os serviços secretos e as polícias da França haviam registrado cerca de cem residentes no território francês que foram lutar na Síria. Em dezembro, eram 184 - dos quais 80 em combate.

"No início, eles tinham vontade de combater o regime de Bashar Assad, que nós mesmos condenamos. Mas, agora, a maioria quer lutar ou está nas fileiras jihadistas", afirmou o ministro do Interior francês, Manuel Valls. Para ele, os jihadistas europeus oferecem um risco para a segurança interna da Europa e para o mundo.

Uma constatação semelhante foi feita pela ministra do Interior da Bélgica, Joëlle Milquet. Segundo ela, células de recrutamento de europeus foram encontradas no enclave espanhol de Ceuta, no Norte da África, e também na França. Grupos da Turquia e do Marrocos também estariam envolvidos na atração de jovens europeus para a guerra. "Não há uma onda de retorno, mas alguns já foram presos na Bélgica com base na lei antiterrorismo ou porque tínhamos provas de recrutamento", declarou a ministra.

Para deter os europeus suspeitos de atividades ligadas ao extremismo islâmico na Síria, os governos da UE se valem do sistema de informações do Espaço Schengen, a linha que delimita a área de livre circulação de pessoas dentro do bloco.

Pelo menos 25% dos pedidos de informações feitos pela polícia da França resultam em informações concretas sobre o paradeiro dos jovens desaparecidos. A partir de então, os extremistas passam a ser monitorados pelas autoridades, prontas para prendê-los, caso retornem.

Com base em sua experiência, Véronique Loute, mãe de Sammy, entende que as autoridades europeias não têm com o que se preocupar, pois acredita os jovens jihadistas já não se sentem europeus ao partir. "Todos estavam à procura de um sentido para suas vidas. E creio que não encontram razão para voltar." / A.N.

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