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Gregorio Borgia/AP
Gregorio Borgia/AP

UE tenta resgatar o verão e atrair turistas dos EUA já vacinados contra covid

A abertura alivia principalmente a economia do sul da Europa, que depende muito do turismo, incluindo Grécia, Itália e Portugal

The New York Times, O Estado de S.Paulo

18 de junho de 2021 | 20h00
Atualizado 18 de junho de 2021 | 23h00

BRUXELAS - A União Europeia recomendou nesta sexta-feira, 18m a suspensão da proibição de viagens não essenciais de americanos, um aceno ao governo dos EUA, mas também um respiro para muitos países europeus que dependem da retomada do turismo às portas do início da temporada de verão (no norte).

A recomendação não é vinculante e cada país poderá decidir que regulações impor aos visitantes, incluindo quarentenas. Os americanos foram quase totalmente banidos da Europa em razão do coronavírus – os EUA tiveram os números mais elevados de contaminações do mundo. 

A abertura alivia principalmente a economia do sul da Europa, que depende muito do turismo, incluindo Grécia, Itália e Portugal. Esses países pressionaram a Comissão Europeia, o braço executivo do bloco, a agir para que a temporada turística não seja inteiramente perdida em razão da ausência dos americanos, que são grandes gastadores.

A decisão ocorre dias após o presidente Joe Biden visitar Bruxelas, onde se encontrou com as mais altas autoridades da UE. No entanto, apesar de acenos mútuos, não houve reciprocidade em relação às viagens. Europeus continuam impedidos de entrar nos EUA para viagens não essenciais, mesmo se estiverem completamente vacinados – a medida foi tomada por Donald Trump, em março de 2020, e estendida em janeiro por Biden.

A decisão desta sexta-feira foi tomada pelos ministros da Economia da UE, que concordaram em adicionar os EUA a uma lista de países considerados seguros do ponto de vista epidemiológico. Isso significa que viajantes vindos incluídos na lista têm entrada liberada no bloco, caso apresentem um teste PCR negativo para infecções.

Mas a UE não tem o poder de obrigar seus membros a abrir as portas para visitantes americanos. Cada país é livre para manter ou intensificar restrições, como obrigar que as pessoas que cheguem a façam quarentenas ou se submetam a uma série de testes.

Países como Grécia e Espanha já se movimentaram para reabrir as fronteiras para turistas de fora da UE, incluindo dos EUA. A Comissão Europeia criticou esses passos iniciais. Em abril, os gregos aboliram a obrigatoriedade de quarentena para turistas europeus, americanos e britânicos, contanto que eles apresentem prova de que foram vacinados, se recuperaram da doença ou mostrem um teste negativo para covid.

Após a recomendação desta sexta-feira, a Alemanha anunciou que permitirá a entrada de qualquer americano a partir do dia 20, independentemente de seu status de vacinação. O governo alemão acrescentou que abrirá as fronteiras para todos os visitantes de fora da UE que estiverem vacinados com imunizantes aprovados pela agência sanitária do bloco e venham de países onde variantes preocupantes não prevaleçam. Isso exclui o Reino Unido.

Portugal reabriu suas portas para os americanos na terça-feira, mas a decisão coincidiu com uma alta nas infecções. Ontem, o governo decretou um lockdown durante o fim de semana em Lisboa. A preocupação é não repetir o que aconteceu no ano passado, quando abertura para viagens entre países europeus foi apontada como causa da alta de casos.

Mais da metade dos habitantes da UE já receberam pelo menos uma dose de vacina. Ainda assim, persistem as preocupações a respeito de reabrir enquanto variantes contagiosas se espalham. “O retorno das viagens é uma coisa boa, mas há riscos”, afirmou Marc Van Ranst, virologista belga e conselheiro do governo. “Aliviar restrições a viagens durante a temporada do verão, inevitavelmente, levará à disseminação da variante Delta, também em países onde ela ainda não se estabeleceu.” Ele afirmou que não espera uma elevação de número de casos como no outono passado, mas insistiu na importância da segunda dose para a proteção adequada.

Jean-Michel Dogné, professor da Universidade de Namur, na Bélgica, elogiou a decisão de reabertura para americanos, porque o país “está vacinando bastante gente e com vacinas que são efetivas contra a variante Delta.” Mas ele também alertou contra uma abertura exagerada e rápida demais. “Estamos numa situação intermediária”, afirmou. “A campanha de vacinação está avançando, mas precisamos acompanhar atentamente a situação e estar preparados para reintroduzir restrições.”/ TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL 

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