UE trabalha em plano de contingência militar para retirar europeus da Líbia

Missão, que pode contar com apoio naval, ainda está em 'estado embrionário', segundo funcionário

GABRIEL BUENO, Agência Estado

24 de fevereiro de 2011 | 08h52

BRUXELAS - Os países da União Europeia (UE) preparam um plano de contingência militar para a Líbia, em resposta aos violentos confrontos entre manifestantes e forças leais ao governante Muamar Kadafi, disseram nesta quinta-feira, 24, funcionários do bloco europeu. Um ministro francês, porém, negou que a possibilidade de uma invasão estrangeira no país do norte africano esteja sob avaliação no momento.

 

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A UE está planejando uma missão para resgatar da Líbia entre 5 mil e 6 mil cidadãos comunitários, informou um porta-voz da Comissão Europeia.

 

"Estamos buscando apoio naval, incluindo navios militares que estão na região", explicou em declarações Raphael Brigandi, porta-voz da Comissão Europeia para Gestão de Crise e Ajuda Humanitária.

 

Atualmente há na Líbia entre 5 mil e 6 mil cidadãos europeus - 1 mil deles em Benghazi - depois que outros 5 mil já deiram o país, acrescentou.

 

A ideia de uma operação militar está ainda em estado embrionário, mas é "um dos cenários possíveis", acrescentaram outras fontes comunitárias, que detalharam que a partir de Bruxelas há contatos com os países da UE para ver que meios civis e militares podem fornecer um dispositivo de emergência.

Grupos pelos direitos humanos afirmam que centenas de manifestantes já morreram durante os confrontos, após serem atingidos por tiros de forças do governo. O ministro das Relações Exteriores italiano, Franco Frattini, disse ontem que provavelmente o número de mortos chegava a mil na Líbia.

O ministro da Defesa da França, Alain Juppé, porém, afirmou hoje que uma intervenção militar estrangeira na Líbia não está sendo avaliada no momento. Juppé notou ainda que a ideia de se estabelecer uma zona em que seria proibido voar é algo "justo para se examinar". Forças da Líbia estão disparando em manifestantes de aviões e helicópteros, segundo relatos de várias testemunhas.

Juppé foi questionado sobre a possibilidade de uma intervenção militar estrangeira na Líbia. "Não. Não há intervenção militar", afirmou ele, em entrevista à rádio France Inter. "Mas fortalecer as sanções de qualquer tipo que podem ser tomadas, em particular no espaço aéreo, é algo para se examinar."

O secretário da Defesa dos Estados Unidos, Robert Gates, disse ontem que a França e a Itália seriam os países mais bem posicionados para garantir o respeito a uma possível decisão de proibir voos sobre o país, como forma de reduzir a violência. Juppé respondeu à declaração de Gates: "As pessoas esperam tudo da França no Mediterrâneo. Vamos tentar agir juntos."

 

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