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UE vai registrar lobistas para acabar com tráfico de influência

A UE lança uma iniciativa para fazer com que lobistas, que freqüentam diariamente os escritórios dos burocratas em Bruxelas, passem a declarar para quem trabalham, quem os paga e qual o interesse que estão defendendo. O objetivo é dar mais transparência ao processo de decisão da UE e evitar futuros escândalos de tráfico de influência ou corrupção. O registro dos lobistas será voluntário e a própria UE sabe que muitos preferirão ficar de fora da iniciativa. Mas quem optar por se tornar "lobista de carteirinha" terá certas vantagens, inclusive acesso facilitado aos prédios do governo europeu em Bruxelas. As recomendações feitas por esses grupos de interesse que estiverem registrados ainda serão consideradas pelos políticos de forma oficial. "Não podemos tratar o lobby como um tabu. Ele existe e a questão é colocar ordem", afirmou ao Estado um dos funcionários da UE que está trabalhando sobre o assunto, que destaca que a reputação das entidades que optarem por não se registrar pode ser afetada. Com a responsabilidade de elaborar leis que vão desde o aspecto ambiental, de saúde, comércio, educação e outras áreas políticas, Bruxelas vem se tornando nos últimos anos o centro do lobby na Europa. No total, 15 mil lobistas atuam na capital européia. Cerca de 2,1 mil entidades profissionais e grupos de interesse contam com escritórios permanentes em Bruxelas. Até mesmo partidos políticos que não são reconhecidos em seus próprios países, como o Batasuna, contam com escritórios de lobby em Bruxelas. A preocupação das autoridades européias, portanto, é de colocar ordem nessa atividade e, de uma certa forma, legalizando o trabalho dos lobistas. "O lobby deve ser visto como algo legítimo e útil, mas deve ser transparente perante o público", afirma a UE em um comunicado. Para o vice-presidente da Comissão Européia, Siim Kallas, uma organização da profissão "evitará abusos" e será importante para a democracia. Em um primeiro momento, os grupos de interesse serão obrigados a dizer em nome de quem estão atuando, como são financiados e quais são seus objetivos. Poderão se inscrever consultorias, organizações não-governamentais, entidades de pesquisa, sindicatos, associações e mesmo escritórios de advocacia que representam empresas. Um código de conduta para esses lobistas será criado e o esquema passará a valer a partir de 2008. Quem mentir em sua declaração ou não respeitar o código de conduta será punido por Bruxelas e uma lista anual dos sancionados será publicada. O termo "lobby" foi criado entre 1869 e 1877, quando empresários, políticos e grupos de pressão descobriram que um dos presidentes americanos, Ulysses Grant, vivia em um hotel em Washington, o Willard Hotel. Para tentar falar com o presidente e fazer seu pedido, esses grupos ficavam no lobby do hotel a sua espera, enquanto desfrutavam de uma bebida.

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