UE vê evidências de culpa do regime sírio por ataque

Ministros das Relações Exteriores da União Europeia concordaram em uma declaração firme sobre a crise síria neste sábado, afirmando pela primeira vez como um grupo que há "fortes indícios" de que o regime de Bashar Assad estava por trás de ataque com armas químicas no mês passado e pedindo uma resposta "clara e forte". Eles ponderaram, no entanto, que é preciso aguardar a divulgação de relatório de inspetores da Organização das Nações Unidas (ONU) antes de qualquer possível ataque militar contra o regime.

AE, Agência Estado

07 de setembro de 2013 | 10h17

Depois de se encontrar com o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, ministros europeus encerraram um período de dias de divisão sobre o assunto divulgando um comunicado comum de que "as informações a partir de uma ampla variedade de fontes confirmam a existência de tal ataque e parecem indicar fortes evidências de que o regime sírio é responsável por esse ataque", destacou a chefe de assuntos externos da UE, Catherine Ashton.

"Fomos unânimes em condenar nos termos mais fortes esse ataque horrível", salientou. A declaração veio no final de uma reunião de dois dias em Vilnius, Lituânia, seguida de discussões com Kerry, que se juntou aos ministros na manhã de sábado.

Ela acrescentou ainda que "em face desse uso cínico de armas químicas, a comunidade internacional não pode permanecer inativa". "Uma resposta clara e forte é crucial para deixar claro que tais crimes são inaceitáveis e que não haverá impunidade".

As nações da UE, a maioria das quais têm sido céticas sobre uma retaliação rápida contra o regime do presidente sírio, Bashar Assad, ressaltaram a necessidade de avançar com uma resposta por meio do processo da ONU. O bloco pediu que qualquer ação internacional espere o relatório dos inspetores das Nações Unidas que visitaram Damasco na esteira do ataque. Catherine afirmou ainda esperar que um "relatório preliminar dessa primeira investigação (da ONU) possa ser divulgado assim que possível".

O grupo de 28 países também conclamou o Conselho de Segurança das ONU a assumir as suas "obrigações" na resolução da crise síria, que deixou cerca de 100 mil mortos ao longo de mais de dois anos.

Kerry, por sua vez, disse que levará a preocupação dos ministros europeus a autoridades da administração de Obama. Um funcionário do Departamento de Estado que participou da reunião de Kerry com os ministros disse Kerry deixou claro que os EUA não tomaram qualquer decisão sobre esperar ou não pelo relatório. O funcionário falou sob condição de anonimato.

Os EUA acusam o regime de Assad por um ataque nos subúrbios de Damasco e, citando relatórios de inteligência, afirma que gás sarin foi usado. O país afirma que 1.429 pessoas morreram, incluindo 426 crianças. O Observatório Sírio pelos Direitos Humanos, grupo de oposição ao regime sediado em Londres, disse ter sido capaz de confirmar 502 mortes até o momento. Fonte: Dow Jones Newswires e Associated Press.

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