AFP PHOTO/ ANATOLII STEPANOV
AFP PHOTO/ ANATOLII STEPANOV

UE vê sucesso em trégua ucraniana

Cessar-fogo negociado em Minsk na semana passada começa com pequenos incidentes entre rebeldes e soldados leais a Kiev

O Estado de S.Paulo

16 de fevereiro de 2015 | 02h03

KIEV - O cessar-fogo negociado na semana passada por Ucrânia, Rússia, França e Alemanha entre tropas de Kiev e rebeldes pró-Moscou começou ontem no leste ucraniano com sucesso, apesar de pequenos confrontos ocorridos na cidade estratégica de Debaltseve, onde as forças do Exército ucraniano foram cercadas. Por meio de nota, o governo francês pediu o fim da violência para que o acordo avance a suas próximas etapas.

Segundo o comunicado divulgado pelo Palácio do Eliseu, o presidente francês, François Hollande, e a chanceler alemã, Angela Merkel, falaram com os presidentes da Rússia, Vladimir Putin, e da Ucrânia, Petro Porochenko, sobre o acordo alcançado em Minsk e concordaram em avançar para as próximas etapas previstas.

A trégua começou na madrugada de ontem em grande parte do leste da Ucrânia. Mas os rebeldes pró-russos anunciaram que não cumpririam a trégua na cidade estratégica de Debaltsev, onde as forças do Exército ucraniano foram cercadas. Segundo os militares de Kiev, foram registradas dez violações do cessar-fogo ao longo do dia, nove delas na cidade sob disputa. Controlada pelo Exército, Debaltsev tem um entroncamento ferroviário que liga as duas principais províncias controladas pelas milícias separatistas pró-Rússia: Donetsk e Luhansk.

Pouco depois a zero hora de ontem, Porochenko fez um pronunciamento na TV ucraniana informando a população de sua decisão de interromper os combates contra os insurgentes no leste do país.

Horas antes, o líder rebelde Alexander Zakharchenko, chefe da chamada República Popular de Donetsk, declarou que respeitaria a trégua nas regiões de confronto, com a exceção de Debaltsev. Ele disse ainda que não permitiria que os soldados ucranianos cercados na cidade deixassem o local. "Bloquearemos qualquer tentativa de fuga", disse o miliciano. "Já dei essa ordem."

Os rebeldes acusam as tropas americanas de terem violado o cessar-fogo em Debaltsev logo após o início da trégua. Eles argumentam também que, uma vez que a cidade foi cercada, deveria ser considerada território sob controle pró-russo.

Monitores da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) confirmaram que a trégua foi cumprida, apesar do registro de alguns incidentes. "Nas primeiras 12 horas, o cessar-fogo foi respeitado, com algumas exceções, especialmente em Debaltsev, Raigorod e Luhansk", disse em entrevista coletiva o chefe da missão especial da OSCE, Ertugrul Apakan.

Violações. O diplomata turco, que disse ter recebido várias denúncias não confirmadas de descumprimentos da trégua, afirmou que os dados foram obtidos por meio dos 20 grupos de observadores que foram enviados à região entre as tropas ucranianas e os separatistas pró-Rússia pouco antes do início do cessar-fogo.

Apakan acrescentou que não recebeu relatórios de descumprimento do novo acordo no entorno de Mariupol, a segunda maior cidade da região de Donetsk, comandada pelas forças governamentais.

Sobre a situação em Donetsk, o principal reduto dos rebeldes pró-Rússia, o diplomata disse que, minutos depois da trégua entrar em vigor, disparos com armas leves e três explosões de mísseis Grad foram registrados, mas os ânimos se acalmaram ao longo da madrugada. Na manhã de ontem, a cidade estava tranquila e não houve confrontos, segundo o relato.

Na Província de Luhansk, dois civis morreram pouco depois da entrada em vigor do cessar-fogo, vítimas de disparos de artilharia na cidade de Popasne.

O cessar-fogo é o primeiro dos 13 pontos do novo acordo para solucionar o conflito no leste do país. Desde o início dos confrontos, em abril, mais de 6 mil pessoas morreram, entre combatentes e civis.

O segundo passo do acordo é a retirada do armamento pesado da linha de separação das forças, que deve ter início na próxima terça-feira e ser concluído em no máximo duas semanas.

Segundo o Departamento de Estado americano, imagens de satélites do leste da Ucrânia mostram "evidências críveis" de que o Exército russo auxiliou os rebeldes no cerco a Debaltsev. A diplomacia americana espera que essas armas comecem a ser retiradas da região a partir de hoje, quando entra em vigor o segundo ponto previsto no acordo de Minsk. / AP e REUTERS

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